segunda-feira, 29 de abril de 2019

7 hábitos diários para aumentar a força mental

Você consegue adotar pelos um hábito novo desses?


Se queremos novos resultados na vida precisamos mudar! Precisamos deixar as coisas que nos prendem e nos limitam e construir novas atitudes, adotar hábitos que nos conduzam ao caminho da felicidade e da prosperidade!

Mudanças gradativas são mais fáceis de serem realizadas e são mais sustentáveis. Adote um novo hábito desses por semana ou por mês e perceba como você e o seu redor se transformam!












segunda-feira, 22 de abril de 2019

Fisioterapia Preventiva na Terceira Idade

Por Diego G.Sobral

     A população idosa vem crescendo a cada ano, com isso cresce também o aumento de acidentes e lesões devido a quedas e outros acidentes doméstico. Como prevenção podemos tomar algumas medidas como instalação de barras de apoio no banheiro e escadas e principalmente retirar aquele lindo tapete de crochê, pois com ele facilmente podem ocorrer escorregões, sendo de grande prejuízo a saúde do idoso.


     Juntamente com os cuidados em casa, também se torna necessário que o idoso pratique alguma atividade física, para que desenvolver e manter a estabilidade músculo-esquelético,  equilíbrio e propriocepção. As academias da terceira idade, que estão facilmente localizado em parques, podem ser utilizadas. Uma atividade de grande benefício é a dança de salão, pois desenvolve a coordenação motora, agilidade, ritmo e percepção espacial, desperta e aprimora a musicalidade corporal de forma inteligente e natural, permitindo uma melhora na autoestima e a ruptura de diversos bloqueios psicológicos, possibilita o convívio e aumento do rol de relações sociais, torna-se uma opção de lazer e promove inclusive melhora de doenças e outros problemas e também as previne. É melhor prevenir do que remediar, pratique exercícios físicos. 


Nota Informativa elaborada por Diego G.Sobral, na disciplina de Fisioterapia Esportiva, sob orientação da Prof. Natália B. Moreira.

quarta-feira, 27 de março de 2019

A Fisioterapia Como Promoção Da Saúde

Muitos conhecem a fisioterapia como reabilitação, agindo na recuperação da saúde. Mas você sabia que a fisioterapia também atua na prevenção e promoção da saúde? Este trabalho reduz riscos de adoecimento, melhora o funcionamento do corpo, a qualidade de vida e o bem-estar das pessoas.



A fisioterapia atua no movimento e funções do corpo humano, realizando o diagnóstico cinesio-funcional (cinesio = movimento), reabilitação e manutenção da saúde. Atividades diárias realizadas de forma incorreta, posturas inadequadas, movimentos repetitivos, fraqueza muscular, desequilíbrio, entre outros fatores, podem apresentar consequências físicas, resultando em dores, lesões e doenças. Deste modo, a fisioterapia preventiva, enquanto promotora de saúde, pode prevenir essas consequências promovendo a sua saúde. A Fisioterapia atua de forma individual ou coletiva, na população geral ou com grupos específicos como crianças, gestantes, idosos ou portadores de doenças crônicas, entre outros. Entre as áreas que a fisioterapia preventiva pode atuar, podemos citar:

- Na saúde do trabalhador, a Fisioterapia atua na prevenção de doenças musculoesqueléticas, como tendinites e lesões esforços repetitivos (LER), e psíquicas, como o estresse, aumentando a qualidade de vida e a produtividade na vida pessoal e profissional.

- Na terceira idade, os métodos fisioterapêuticos são capazes de preservar a função motora e reduzindo o risco de quedas e acidentes, mantendo o máximo de capacidade funcional e independência física e mental.

- Em esportistas, a Fisioterapia além de reabilitar pode prevenir lesões e aumentar o desempenho e o rendimento em treinos e competições.



Não precisa estar doente ou debilitado para buscar a fisioterapia. A melhora na função física promovida por esta especialidade aumenta a consciência corporal, melhora o equilíbrio corporal e a capacidade cardiorrespiratória, proporcionando bem-estar físico e emocional e consequentemente uma melhor qualidade de vida.


Autores: Diogo Pykosz de Oliveira, Natália Boneti Moreira.
Nota informativa elaborada na disciplina de Fisioterapia Esportiva do Centro Universitário UniDomBosco sob supervisão da Prof. Natália Boneti Moreira.

segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Aula de criatividade na turma de forró

Para se dar aula de criatividade também precisamos ser muito criativos. Comecei sem nada programado, fui trabalhando a partir do material que os alunos foram me proporcionando a cada dança, propondo novos desafios, mostrando o que cada um poderia melhorar, até que o trabalho foi tomando formato, e o resultado foi esta linda dança! Totalmente improvisada e criativa!!!

O trabalho de professor e terapeuta requer muito conhecimento e dedicação, mas é imensamente gratificante quando conseguirmos dar as ferramentas para que cada um consiga explora o máximo do seu potencial!

São resultados como esse que dão ânimo e gás para continuar trabalhando e aprendendo cada vez mais!

Ps.: Confesso que fiquei até emocionado quando vi essa dança!

Música: Céu e mar - Forrueiros.


quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

10 Anos de PROF. de DANÇA de SALÃO

Neste mês de fevereiro completo 10 ANOS como PROF. de DANÇA DE SALÃO!!! Me sinto muito feliz, abençoado e agradecido por toda essa trajetória, por trabalhar com o que eu amo, pelas pessoas que conheci e convivi, por todo aprendizado e crescimento e principalmente por poder contribuir de uma forma positiva na vida das pessoas!!!

Tenho muito a agradecer, afinal são 10 anos, não conseguirei citar a todos mas tem pessoas que quero muito mencionar. Primeiramente aos meus alunos, que não tenho ideia da quantidade mas que já passaram fácil dos 1.000, uns ficaram pouco, outros já estão comigo há anos, uns só passam, alguns vem e vão, mas outros vieram e ficaram, muito obrigado! Sem vcs essa história não teria tantos anos!!! Agradeço ao meu amigo Elias Ferreira que me indicou como professor para duas academias, quando eu nem pensava em dar aulas... e foi onde tudo começou! Agradeço de todo coração aos meus professores que me ajudaram a construir meu conhecimento,meu primeiro prof. Carlinhos Moro - quando comecei a lecionar, 6 anos depois de ter tido aula contigo, ainda lembrava de seus ensinamentos e da forma como passava; Tatiana Asinelli - contribui para que a dança ficasse mais fluida e criativa; Claudio Choco - quando o cara tava inspirado pra dar aula não tinha pra ninguém, era foda! Giuliana Manfio - sempre tranquila, sorridente, equilibrada e muito estudiosa; Renato Zoia - com sua busca incansável por uma evolução da dança de salão me ajudou a rever caminhos e técnicas da dança; Sandra Ruthes - uma das minhas primeiras profs e que nos reencontramos anos depois para reparar não sei exatamente o que, mas que foi muito bom, fiquei muito feliz! Tem duas pessoas que não foram meus profs regulares mas que influenciaram muito a minha dança e que preciso citar, o mestre Jimmy de Oliveira - posso dividir meu samba de gafieira entre antes e depois do Jimmy; e o Renato Veronezi - que contribuiu d+ com o zouk. Gratidão mestres!!!

Agradeço à todas as pessoas e empresas que me deram a oportunidade de trabalho, foram muitos lugares, alguns tenho um agradecimento especial, Andre Vicentini da Academia Vip Fit, que foi um dos que me abriu as portas para iniciar nesse mundo de prof e onde fique 6 anos, e tbm ao Miguel da Play Academia, quem tbm tivemos o mesmo tempo de parceria e foi a última academia que trabalhei. Ao Alex Colin que junto com a Regina Montilelli me abriram as portas para trabalhar na minha primeira grande escola de Dança, onde vivi grandes momentos. À Gika Baretta por acreditar no meu trabalho e me levar para sua escola! Gratidão!

À duas pessoas que começaram como alunas, viraram amigas e hoje me ajudam muito nas aulas Carolina Rocion e Daniele Oliveira! Muito obrigado sempre meninas!!!

Tem pessoas que não são da dança mas quero deixar minha gratidão especial, minha mãe que me permitiu dar aulas em casa! À Adriana Dal-Hi e Helen Guaresi, idealizadoras e profs da pós em Psicologia Corporal - posso afirmar com toda convicção que a pós e o trabalho de vcs me ajudou a me transformar em uma pessoa muito melhor!!! À minha terapeuta Evelyse Teluski - excelente profissional, só tenho elogios e gratidão pelo seu trabalho! À Grabriela Mazzi que me ajudou a entender o corpo para dança para a minha saúde e que de uma forma indireta me influenciou a buscar o novo campo de estudo, a Fisioterapia! Muito obrigado!

Ensinar a dançar não é só passar passos, é contribuir para que a pessoa melhore sua relação com ela mesma, que possa conhecer mais de si mesma e assim poder ser expressar através de uma dança, de poder relacionar-se melhor consigo, com o parceiro e com a sociedade, é ajudá-la a descobrir o prazer que essa atividade proporciona e viver mais feliz, porque quem dança é mais feliz!!!

Pela pessoa que eu sou e pelo profissional que eu sou, agradeço à todos que contribuíram nesta construção e tbm agradeço à Deus por permitir que isso acontecesse e por guiar sempre meus caminhos! GRATIDÃO!!!


quarta-feira, 1 de junho de 2016

DANÇAR x MOVER-SE na Música

Gosto quando as pessoas conseguem colocar em poucas palavras toda uma ideia, um exemplo disso aconteceu antes de uma aula, quando uma novo aluno me disse que veio fazer aula comigo porque gostava como eu dançava, diferente de outros que apenas se movimentavam na música. Aquilo ficou reverberando em meus pensamentos. A forma como tenho visto muita gente "dançar", sinceramente, não tem me sensibilizado, e isso me fez buscar entender o porquê.

Podemos começar com a grande diferença entre Esporte e Arte. No esporte conta o desempenho, é uma competição, precisa-se vencer. Na arte predomina a emoção, expressar através da sua atividade o que se está sentindo ou que se deseja transmitir. Gosto da dança enquanto arte, quando se tem emoção! Sabe aquela sensação que nos faz querer pegar um par e sair bailando logo após assistirmos uma apresentação de dança ou ver um casal dançando no salão? Então, isso é uma ótima dança para mim, aquela que me toca e me desperta o desejo de dançar também! E pra quem já é praticante sabe que esse desejo não irá passar enquanto não for expressado!


Tenho visto muitas danças que quando chegam ao fim eu digo "foda", "os caras são bons"... mas não me despertam o desejo de dançar e muitas vezes nem de querer continuar assistindo. Muitos dançarinos têm se dedicado intensamente às técnicas, e isso é muito importante para quem quer ser profissional, ou simplesmente melhorar a sua dança, mas quando toda essa técnica é desprovida de emoção... hum... a dança deixou de ser uma arte, ficou fria de sentimentos, é abastecida apenas pela ação, e algumas vezes criatividade, resultando na elaboração de movimentos difíceis de serem executados, uma coordenação motora surpreendente e muita agilidade, mas que não encantam os demais, e até arrisco a dizer, que não satisfaz plenamente quem o executou, pois em pouco tempo esse nível técnico não contentará mais e precisará se elevar e se desafiar novamente e assim sucessivamente.

Na dança de salão, assim como na vida, pensamos, agimos e sentimos, o equilíbrio entre ambos é que trás a harmonia e a beleza. A dança é movimento, está na ação, na nossa camada mesomórfica, mas quando desprovida do envolvimento da camada endomórfica, responsável pela emoção e pelo contato, ela se torna fria e sem expressão. Sem a participação da camada  ectomórfica perde a percepção sensorial e a criatividade ficando muito mecânica. Em ambas as circunstâncias a dança nos deixa com a sensação de estar faltando ago. (Quem desejar aprofundar um pouco mais nesse tema tem uma postagem publicada falando dos Tipos Contitucionais).

Como a arte é uma forma de expressão, não podemos deixar de falar sobre espontaneidade. Na minha monografia da pós-graduação em Psicoterapia Corporal dediquei um capitulo ao tema Auto-expressividade. Espontaneidade é uma atitude que vem do ser, do self, é uma qualidade essencial à expressividade. Quando o comportamento é aprendido e controlado o ego está em ação. Na dança aprendemos movimentos (ego), mas se estes não forem espontâneos em sua execução (self) a dança perderá o encanto e o prazer. "Quando o controle (ego) e a espontaneidade estão em harmonia a ponto de um suplementar o outro ao invés de tolhe-lô, garante aos nosso comportamentos maior objetividade e um nível de prazer mais elevado." (Alexander Lowen).

Uns dias atrás estava rolando no facebook um daqueles videos que viralizam, que um monte de gente compartilha e marca os amigos, era a apresentação de um grupo de dança numa competição (não era no Brasil, não sei onde era), eles eram fantásticos (para não dizer "fodásticos"), excelente técnica, sincronia, precisão, plasticidade e um monte de outras qualidades! No final da apresentação ficamos de queixo caído! Mas e a vontade de dançar depois de assistir? Hum... talvez à quem goste de competir, porque aos apreciadores da dança como lazer... estes provavelmente se sintam mais intimidados do que estimulados... Mas foi lindo!

Num daqueles dias que paramos para pensar,  estava refletindo sobre o comportamento dos dançarinos em seus diferentes níveis de dança e os comparando as fases da vida. O iniciante é como a criança, está inseguro com seu pouco conhecimento e experiência e se torna tímido no salão, arrisca muito pouco, as vezes nem se atreve a ir para a pista, e quando o faz se mantem na zona de conforto. O intermediário é como o adolescente ou jovem, tem necessidade de se auto-afirmar, ele quer se destacar, mostrar tudo o que sabe, o cavalheiro vai querer executar todos os passos do seu repertório em uma unica dança e a dama precisa colocar todos os enfeites e jogadas de cabelo que aprendeu nas aulas de ladie style. Preocupação social com o salão? Isso é o de menos, o importante é fazer o seu show. O avançado é como o adulto, já amadureceu, sabe que o importante não é a quantidade e sim a qualidade, dança para si e para o parceiro buscando o prazer para ambos. O sênior é como o idoso, já experienciou uma longa vida de prazeres e dores e o que vale agora é viver e se divertir, se entregam para aquela dança como se fosse a última, como se nada mais existisse. Assim como na vida os dançarinos também passam por diversas fases, o caminho da evolução é válido quando acompanhado de maturidade e conhecimento usado com sabedoria.

Teria diversos temas a mais para abordar, aspectos que influenciam na diferença entre dançar e mover-se na música, um deles deixei de lado de propósito, as competições, só ele renderia uma postagem exclusiva, mas creio que os pontos abordados já nos dão material para olharmos para nossa dança e vermos que caminho estamos seguindo e se é por aí que queremos continuar. O tema é recorrente e acredito que continuará em pauta ainda por um bom tempo, eu mesmo já o abordei aqui no inicio de 2012, agora voltei a ele com mais experiência e mais fundamentado. Quando me perguntam se gostei de uma dança, sabe em que me embaso para responder? Se ela me tocou de uma forma positiva. Minha vivencia com a dança de salão junto com meus estudos de psicologia e minha terapia pessoal me tornaram seguro para dar crédito ao que eu sinto! Se eu preciso ficar racionalizando, avaliando e equacionando para dizer se gosto ou não de uma dança, é porque estou precisando argumentar contra minha percepção e isso deixou de ser resposta espontânea e verdadeira, permitindo que o meu ego prevaleça sobre meu self. Não tenho intenção nenhuma de deixar de ser quem sou para agir como os demais acreditam que deva ser.

O que te encanta quando você assiste uma dança?

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Ritmo e Prazer

     Me encanta o estudo da psicologia e do comportamento humano! Quem acompanha meu trabalho e minhas escritas sabe que sempre procuro fazer essa ligação com a Dança de Salão. Estou terminando de ler o livro Prazer: uma abordagem criativa da vida, do Alexander Lowen e tenho por meta escrever uma postagem abordando o tema do livro e como isso influencia nossa vida e nossa dança. Mas hoje, lendo uma parte do livro, o tema teve um apelo muito forte e significativo que me inspirou a dedicar uma postagem ao assunto "Os Ritmos do Movimento". Como estarmos fora de nosso ritmo nos distancia do prazer.


     Nosso organismo funciona ritmicamente gerando a mobilidade espontânea, o coração bate, os vasos sanguíneos se expendem e sem contraem, a respiração é contínua e a atividade celular nunca cessa. Essas atividades são involuntárias e dotadas de um ritmo que varia de acordo com a excitação do organismo e de suas partes.

     Na relação com o mundo externo, que abrange nossos contatos com as pessoas e ambientes as quais convivemos, nossas atividades são voluntárias, recebemos estímulos e respondemos com movimentos. A parte do corpo mais envolvida nessa atividade é a externa. Todo estímulo à superfície do corpo e por ele percebido é agradável ou doloroso. Segundo Lowen, não existe estímulos indiferentes pois o estímulo que não consegue criar sensação, não será percebido.

     Reagimos diferente à estímulos idênticos, o que gera prazer para uns pode representar dor para outros, o momento e a situação também influenciam, como quando se está concentrado em uma atividade, a pessoa pode recusar receber um carinho para não perder a concentração, mas um tapinha nas costas pode ser sinal de aprovação e gerar um estímulo positivo. Quando os estímulos harmonizam com os ritmos de nossos corpos encontramos prazer. A música que adoramos dançar, será incomoda quando estivermos tentando pensar, nossa comida predileta não terá o mesmo sabor se estivermos sem apetite e assim funciona em todos os outros sentidos.

     Segundo Lowen (1984, p. 201), a relação entre ritmo e prazer é claramente vista na função motora da parte externa do corpo, isto é, nos movimentos voluntários. "Qualquer atividade motora, realizada ritmicamente, é agradável. Se for realizada mecanicamente, sem sensação de ritmo, adquirirá qualidade dolorosa". Ele cita com o exemplo o andar, quando se anda ritmicamente, o andar é agradável, mas quando se tem pressa a atividade se transforma numa tarefa e perde o prazer. Podemos avaliar o prazer ou a falta dele, na vida das pessoas, pela forma como se movem. A pessoa que vive com prazer move-se com ritmo, sem esforço e graciosamente. Mas em nossa cultura nos deparamos com andares rápidos, compulsivos e bruscos, revelando a falta de alegria em suas vidas. Na dança de salão, principalmente quando realizada de improviso (não coreografada), até os mais leigos conseguem perceber se os dançarinos estão bailando com alegria e prazer ou se estão apenas preocupados com o desempenho.

     Se nos identificamos com nossos corpos e sua busca de prazer, nossos movimentos tornam-se rítmicos. A dança é um exemplo clássico do prazer em movimentos rítmicos. A música coloca sua vibração em contato com nossos corpos, que responde em padrões rítmicos dos passos de dança. Quando não estamos acompanhando o ritmo da música ou quando a música não se harmoniza com nossa vibração interna temos uma sensação desagradável.

     Os movimentos involuntários, diferente dos voluntários, exigem muita coordenação antes de se tornarem rítmicos, como as danças e os esportes, por exemplo. Para a aquisição destas e outras habilidades precisasse de dedicação e esforço. Conforme se adquire maior coordenação nos movimentos do corpo, estes se tornam mais rítmicos e geram maior prazer. Pessoas com mais coordenação, buscam ritmos mais complexos para excitar seus corpos. Quando se adquire qualidade rítmica, o prazer é grande, porém no momento que ser perde o ritmo a atividade passa a ser um doloroso combate. Por exemplo, uma pessoa depois de um tempo se dedicando à aulas e práticas de dança, atinge uma boa qualidade rítmica dos seus movimentos e sente muito prazer dançando, mas se por uma força qualquer precise passar um período afastada dessa atividade, quando retorna, esta, antes prazerosa, pode se tornar dolorosa, pois perdeu o ritmo e precisa recomeçar.

     Dividimos nossas atividades em coisas que fazemos seriamente, com um propósito ou ganho e coisas que fazemos por divertimento ou prazer. No aspecto sério da vida, a atividade rítmica espontânea parece não ter lugar. As pessoas andam mecanicamente, trabalham compulsivamente e falam monotonamente, sem ritmo e, algumas vezes, sem pé nem cabeça, procuram ter a eficiência fria de uma máquina. Devido à ausência de ritmo, perdem o prazer nessas atividades e depois tentam recuperar o ritmo nos esportes, dança, jogos e outras formas de recreação. Mas muitas vezes são frustradas pelo impulso compulsivo do ego em obter sucesso ou perfeição.

     A dança, que é uma atividade que proporciona tanto prazer, se realizada com a premissa no desempenho, sem seguirmos nosso próprio ritmo, logo passará a ser desgastante e desprazerosa. Não somos como máquinas que têm eficiência por estarem programadas a apenas um padrão de movimento rítmico. Somos dotados de um número quase ilimitado de padrões rítmicos que variam conforme disposições e desejos, que mudam conforme a excitação varia. Somos capazes de entrelaçar padrões rítmicos complexos para aumentar nosso prazer e alegria. Somos estruturados biologicamente para o prazer não para a ser eficiente. O homem é um ser criativo, não produtivo. (LOWEN, 1984)

     Temos que tomar cuidado para que nosso prazer não seja sacrificado em prol de nossa produtividade. Se no momento essa mudança ainda não pode ser alcançada em seu trabalho, fica a reflexão! Mas, principalmente, procure não adotar esse padrão rítmico em suas atividades de lazer. Essa semana li uma frase que casa com isso, "não existe caminho para a felicidade, a felicidade é caminho" (autor desconhecido).

     Encontre o seu ritmo e o prazer de viver!


REFERÊNCIAS

LOWEN, Alexander. Prazer: uma abordagem criativa da vida. São Paulo: Summus, 1984.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Primeira semana de aulas da Nova Grade

A primeira semana da Nova Grade de Aulas foi um sucesso!!! \o/ 




Você conhece Roda de Cassino? É uma Salsa dançada em roda onde um cantante, canta o passo e os dançarinos o executam simultaneamente, muitos dos passos acontecem trocando os pares, é muito divertido! Uma pequena amostra da Roda de Cassino que fizemos na primeira aula de Salsa, com movimentos iniciais e simples.



Ainda dá tempo! Venha fazer aula e dançar com a gente!!! Marque uma aula experimental grátis!

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Sambas para ouvir e dançar

Mês passado compartilhei grupos de Forró que gosto de ouvir e que uso nas aulas, como a galera curtiu as indicações vou fazer o mesmo com o Samba.
Vou começar pela safra mais nova, gosto muito do João Sabiá, bom de ouvir e também ótimas músicas para dançar, principalmente para os iniciantes. Rogê e Seu Jorge tem uma levada samba-rock muito boa! Casuarina tem uns samba muito gostosos. Paula Lima não pode ficar de fora da lista.

Duas gerações de grandes sambista João Nogueira e seu filho Diogo Nogueira e Martinho da Vila e sua filha Mart'nália.

Temos ótimos cantores e grupos de samba, mas também temos vários artistas que passeiam por diversos ritmos e que nos oferecem sambas muito bons, como Emilio Santiago, Djavan, Acione e Luiz Melodia, que já são artistas consagrados (o Emilio infelizmente não está mais conosco) e possuem bandas com uma qualidade musical fantástica, sendo um deleite ouvir e também aproveitar a rica musicalidade para dançar!

Nessa pegada temos mais duas gerações que muito enriqueceram e a nova geração ainda o faz por nossa música, Jair Rodrigues, Elis Regina e  Wilson Simonal e seus filhos Jair Oliveira e Luciana Mello, filhos de Jair, Pedro Mariano e Maria Rita, filhos de Elis, e Wilson Simoninha, filho de Simonal.

Confesso que samba é um ritmo que raramente ouço um álbum inteiro ou somente um cantor ou banda, normalmente o faço com uma playlist ou pasta com vários interpretes, alguns nomes são muito representativos no gênero e dificilmente ficam de fora como Jorge Aragão, Elza Soares, Leny Andrade, Brasil Show, Banda Black Rio, Copa 7, Bebeto e Zeca Pagodinho.

Outros artistas com sambas muito bons são Zé Ricado, Celso Fonseca, Joyce, Kleber Jorge, Roberta Sá, Ana Costa, Leila Pinheiro, Bruno Maia, Marquinhos Satã e Alexandre Pires.

Muitos cantores de Mpb também tem bons sambas, gosto muito destes três, Chico Buarque, Ney Matogrosso e João Bosco. Dos percussores do ritmo cito Noel Rosa e Cartola.


Abençoada e rica é nossa cultura popular brasileira, temos muita gente boa e para todos os gosto! Minha intenção não é citar todos os cantores de samba, mas aqueles que gosto de ouvir e que fazem parte das minhas playlists, tem nomes muito conhecidos que não citei, uns por que não gosto de ouvir outros por que esqueci mesmo, mas com os citados já dá para encontrar muitas músicas boas para ouvir e dançar!


Dicas: 1 - Rildo Hora produziu o Casa De Samba, foram ao todo 4 álbuns com duetos de grandes sambistas e nomes da música brasileira interpretando clássicos do samba, foram grandes encontros e ótimas releituras de músicas já conhecidas! Um tempo depois o Zeca pagodinho lançou um projeto nos mesmos moldes mas ficou apenas em um albúm, o Cidade do Samba.

2 - Tem um canal do YouTube com muitos sambas bons, vale a pena conferir, chama-se Reduto do Samba. https://www.youtube.com/redutodosamba


Quem quiser contribuir com outros interpretes será muito bem-vindo! Quem quiser dicas de músicas de algum dos cantores ou bandas que citei pode pedir nos comentários. Bora ouvir e dançar muito samba!!!

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Monografia: QUEM DANÇA É MAIS FELIZ - Parte 10 - Final

     CONCLUSÃO! Chegamos à última parte da publicação da Monografia. Estou muito feliz em compartilhar com vocês o conteúdo deste estudo.Consegui com as aulas, leituras, pesquisas, observações, terapia e conversas, encontrar respostas para os questionamentos e dificuldades citados no início do trabalho. O estudo da Psicologia Corporal me auxiliou a compreender que conflitos psicológicos limitam o fluxo de energia, levando o organismo a funcionar aquém do seu potencial, mas que a Dança de Salão pode funcionar como uma terapia e auxiliar o aluno à superar estas questões e com isso aumentar sua vitalidade e como consequência sua segurança, auto-estima, criatividade, espontaneidade e disposição à busca do prazer. Outro grande acréscimo que tive enquanto profissional, foi a forma de ver o aluno, uma diferença entre o professor e o terapeuta é que o professor trabalhar o conteúdo que ele quer transmitir, na maioria das vezes previamente preparado para a aula, e o terapeuta trabalha a necessidade do seu cliente naquele determinado momento. Acrescentei ao meu professor o terapeuta, trabalhando o conteúdo a ser transmitido, mas sempre olhando para o aluno ou a turma e sentindo qual a sua necessidade para aquele momento, o conteúdo deixou de ser o foco, este mudou para o ser-humano com quem estou trabalhando. Confesso que esta forma de trabalhar é mais difícil, exigi conhecimento e flexibilidade, mas o resultado é muito gratificante tanto para o aluno quanto para mim enquanto profissional e ser humano!

   
Vamos dançar, porque QUEM DANÇA É MAIS FELIZ!





QUEM DANÇA É MAIS FELIZ: AUMENTANDO A VITALIDADE POR MEIO DA BIOENERGÉTICA E DA DANÇA DE SALÃO 


Monografia apresentada para obtenção do título de Especialista em Psicoterapia Corporal no Curso de Pós Graduação em Psicologia Corporal, Instituto Reichiano.




14 CONCLUSÃO

     A proposta deste estudo entre psicologia e dança, foi compreender como o indivíduo reduz sua vitalidade e como isto se reflete no seu corpo e na sua dança. Para viver, dançar e enfrentar as pressões da vida diária é necessário ter energia. As tensões corporais, que são o lado físico dos conflitos psicológicos, limitam o fluxo de energia através do corpo, que prejudica a respiração, a mobilidade, as sensações, a espontaneidade e a auto-expressividade da pessoa, levando o organismo a funcionar aquém do seu potencial. Como o corpo é auto-regulável, produzirá apenas a energia necessária para o seu equilíbrio, e com a vitalidade limitada e reduzida, o ciclo tende a se manter até que sofra uma interferência. Neste ponto a dança de salão se mostra muito útil, além de ser uma atividade que proporciona prazer, que é o objetivo primário da vida, o desenvolvimento de uma atividade física aumenta o metabolismo e por conseqüência a produção de energia; para que o dançarino consiga aumentar sua resistência física precisará melhorar sua respiração, melhorando o fluxo respiratório irá obter mais oxigênio, que irá aumentar o metabolismo e produzir mais energia. Com a dança o indivíduo melhora sua coordenação motora e aumenta sua flexibilidade; com a descontração de tensões e o aumento da mobilidade, o corpo passa a sentir mais e com isso a responder espontânea e criativamente, e sendo a dança uma atividade auto-expressiva, o ciclo que resultará no aumento da energia e por consequência da vitalidade da pessoa, estará completo. Esta vitalidade estará disponível ao indivíduo não somente para o uso na prática da dança, mas também, para a sua vida diária. 
     Considerando a terapia uma forma de reaprender e reprogramar a mente e o corpo, podemos ver a dança de salão como uma forma de terapia, onde o praticante reaprende posturas, comportamentos, ações e movimentos, e recebe estímulo à criatividade, espontaneidade e auto-expressão, aliado ao fato de ser uma atividade que proporciona prazer. É essencial ressaltar que a dança de salão, como uma forma de terapia, não substitui o acompanhamento psicológico em casos de problemas emocionais mais graves, mas pode ser útil como complemento no tratamento. A terapia na forma analítica ou com outras abordagens corporais, como massagens, por exemplo, também são de grande auxilio ao dançarino para compreender e a superar dificuldades.
    Abrindo o leque de pesquisa existem diversos outros aspectos onde a psicologia auxilia a compreender os comportamentos e as dificuldades dos dançarinos. Um aspecto que vale ressaltar, e que é a principal diferença entre a dança de salão e diversas outras danças, é o fato desta ser praticada por casais e na forma de improviso, a relação tão próxima de pessoas de sexos opostos, com a reação direta como resposta ao estímulo do parceiro, reflete diretamente no comportamento do dançarino, e só este aspecto seria conteúdo para o desenvolvimento de todo um estudo. Fica aqui a proposta, para que sejam desenvolvidos mais pesquisas e estudos na área de dança e que possamos ter mais referências para consultar e aplicar. 
     Com este estudo podemos concluir que, de acordo com a visão da bioenergética, a dança de salão pode contribuir significativamente na ampliação da vitalidade do indivíduo, aumentando sua disposição para encarar suas próprias tensões, assim como as tensões da vida diária, além de ampliar sua disposição para a busca de prazer. A qualidade dos resultados que se pode alcançar com a dança de salão depende muito da escolha do profissional, infelizmente é uma modalidade onde não se exige uma formação específica para atuar, com isso encontramos muitos profissionais despreparados e que não possuem consciência do quanto seu trabalho está influenciando no comportamento e no corpo de seus alunos ou dançarinos e que muitas vezes podem estar prejudicando ao invés de beneficiar. A prática da dança de salão além de ser uma atividade que auxilia no alívio das tensões diárias, pode ser fonte para o aumento da vitalidade e melhora do potencial para enfrentar as dificuldades e para a busca do prazer.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Monografia: QUEM DANÇA É MAIS FELIZ - Parte 9

     Último capítulo da Monografia, penúltima parte das postagens sobre ela... está terminando... A mono fecha com o capítulo Auto-expressividade, tema intrínseco à dança. O que limita nossa expressão na dança, movimentos aprendidos x espontâneos, ego x self, poder x prazer, questões que refletem diretamente na dança de cada um, independente se é um dançarino de baile que nunca fez aula, um aluno ou um profissional que vive da arte.


     Sabe o que diferencia um dançarino que encanta com sua arte, independente do nivel, de outro extremamente tecnico e que executa movimentos dificeis mas que não consegue deslumbrar o público? A forma como ele se expressa!

    Boa leitura!!!


QUEM DANÇA É MAIS FELIZ: AUMENTANDO A VITALIDADE POR MEIO DA BIOENERGÉTICA E DA DANÇA DE SALÃO 


Monografia apresentada para obtenção do título de Especialista em Psicoterapia Corporal no Curso de Pós Graduação em Psicologia Corporal, Instituto Reichiano.



13 AUTO-EXPRESSIVIDADE

     A auto-expressividade descreve as atividade livres, naturais e espontâneas do corpo. Toda atividade do corpo contribui para sua auto-expressão, desde as mais simples como andar e comer, até as mais sofisticadas como cantar e dançar. O indivíduo se expressa em qualquer ação que executa ou movimento que seu corpo realiza. Mas não é só através de ações e movimentos que nos expressamos, a forma e o contorno do corpo, sua cor, cabelo, olhos e sons identificam o indivíduo. Para Lowen & Lowen (1985, p. 57), a maior e mais importante parte de nossa auto-expressão é inconsciente. “Um movimento gracioso, um brilho nos olhos de alguém, o tom de voz, uma vivacidade e vibrações gerais, expressão mais o que somos, do que palavras e ações”. Mas segundo eles, estas qualidades não podem ser cultivadas deliberadamente pelas pessoas, “são manifestações de saúde física e emocional”.
     Lowen (1982, p. 229) atribui a qualidade essencial da expressividade à espontaneidade e não a consciência. “Quando comparamos comportamentos espontâneos com comportamentos aprendidos, fica clara a relação dos primeiros com a auto-expressividade”. Considerando o comportamento aprendido uma manifestação do ego e a espontaneidade do self (si próprio), a maioria dos nossos atos contém tanto um elemento aprendido quanto um espontâneo. Quando o controle (ego) e a espontaneidade estão em harmonia a ponto de um suplementar o outro ao invés de tolhê-lo, garantem aos nossos comportamentos maior objetividade e um nível de prazer o mais elevado possível. (LOWEN, 1982, p. 231). Usando a dança como exemplo, a simples repetição dos movimentos aprendidos na aula, por mais que se aplique a mais apurada técnica, não faz com que a dança seja encantadora para quem compartilha ou quem assiste, mas se esta for acrescida de espontaneidade, irá expressar as sensações que a dança, a música e o contato como o par estão lhe proporcionando e com isso a dança não terá apenas movimentos mas expressará vida e proporcionará prazer.
     “O prazer é o elemento chave para a auto-expressividade”. (LOWEN, 1982, p. 230). Sentimos prazer enquanto nos expressamos, essa sensação pode ser moderada ou até extasiante (no sexo). O prazer de se auto-expressar não depende de resposta do meio ambiente, podemos, por exemplo, sentir prazer dançando, isso independe das reações dos outros, porém nosso prazer pode aumentar ou diminuir pela reação dos outros, como se somos elogiados ou criticados pela nossa dança.
     Cantar, assim como dançar, são ações naturalmente expressivas, mas que podem perder suas qualidades quando se transformam numa exibição, ou seja, quando se está faltando o impulso espontâneo para o ato. Pode-se até sentir uma satisfação do ego, mas quando se diminui a espontaneidade o prazer se reduz proporcionalmente. “O desafio do artista é como manter o alto nível de execução sem perder o sentimento de espontaneidade de suas ações, que confere vida e prazer ao que estiver fazendo”. (LOWEN, 1982, p. 231).
     Uma pessoa bloqueada na sua habilidade de expressar sensações e sentimentos, como incapazes de chorar, que não podem esbravejar, que têm medo de mostrar medo, que não podem pedir ajuda, que não ousam protestar; está amortecendo seu corpo e reduzindo sua vitalidade. (LOWEN & LOWEN, 1985). Quando a auto-expressividade está bloqueada ou limitada, a pessoa poderá compensá-la projetando uma imagem do ego. Para Lowen (1982), o modo mais comum de fazer isso é através do uso do poder, mas segundo ele, isto é somente reflexo do senso de inferioridade a nível de si mesmo e de sua expressividade e, adverte que o poder cria apenas uma imagem maior, não um self maior. O autor cita como outra forma de compensação, a pessoa que precisa possuir uma casa grande, um carro potente ou muitas posses para superar uma sensação interna de pequenez, e ressalta que este poderá ser rico, já que esta é sua ambição, mas continua sendo pobre em sua vida interior (espírito) e em sua maneira de automanifestação. Estas observações nos auxiliam a compreender porque muitos artistas e atletas acabam não dando importância aos bens materiais, pois conseguem expressar-se grandiosamente em seus trabalhos e obter, com isso, um prazer imenso, não havendo carência de satisfações egoicas de poder ou posses.
     Lowen (1982, p. 232) apresentou uma linha direta conectando a energia à auto-expressividade:

Energia – mobilidade – sentimento – espontaneidade – auto-expressividade

     A mobilidade do corpo está relacionada ao seu nível de energia. Para mover-se o corpo precisa de energia, se o nível energético está baixo a mobilidade decresce. Com a mobilidade reduzida o fluxo de sentimentos fica limitado, reduzindo ou ainda anulando a espontaneidade e a auto-expressividade. A sequência também opera no sentido inverso, se a auto-expressividade de uma pessoa estiver bloqueada, sua espontaneidade estará reduzida, o que afetará negativamente a afetividade, que por sua vez diminui a mobilidade do corpo e deprime o nível energético.
     É fácil de visualizar essa linha num dançarino, se seu nível energético está baixo, sua mobilidade vai estar reduzida e irá comprometer toda a sua dança. No inverso, se ele for bloqueado na sua auto-expressividade, reduzirá sua espontaneidade, perderá a afetividade, diminuirá a mobilidade e a produção energética será menor para manter o equilíbrio do corpo.


REFERÊNCIAS
LOWEN, Alexander. Bioenergética. São Paulo: Summus, 1982.
LOWEN, Alexander; LOWEN, Leslie. Exercícios de bioenergética: o caminho para uma saúde vibrante. São Paulo: Ágora, 1985.

Forrós para ouvir

Vários alunos me pedem indicação de Forrós para ouvirem, então decidi fazer um post para auxiliar nessa busca. O único critério que vou usar é o meu gosto, o que mais ouço ou utilizo nas aulas. Então vamos lá!



Na minha última pasta de forró estão dois ótimos Trios, TRIO MACAÍBA e TRIO BASTIÃO, além de COISA DE ZÉ que gosto muito! OS 4 MENSAGEIROS fazem parte da minha história com o forró, a coreografia Trio Forrozeiro foi com música deles, além algumas apresentações de improviso. 

Esse ano tivemos DONA ZAIRA no Superstars e no ano passado BICHO DE PÉ, dois grupos muito bons e que tiveram bom destaque no programa!

Vamos aí, grupos das minhas playlists, GUENTAÊ, NÓ DO FORRÓ, RASTAPÉ, TRIO DONA ZEFA, TRIO HAVENGAR, TRIO SINHÁ FLOR, TRIO VIRGULINO, CAIANA, FORROÇACANA, ESTAKA ZERO e FORRÓ NA CONTRAMÃO.

Tem dois grupos que gosto e são muito ricos musicalmente o FORRÓ LUNAR de Brasília e o GUAYPEKA de Floripa!

ALCEU VALENÇA e DOMINGUINHO não podem ficar de fora! Tem um álbum do Dominguinhos e ELBA RAMALHO fantástico!

Tem muito mais coisa! Citei alguns, principalmente da geração mais nova do forró, mas felizmente temos muita coisa para ouvir em se tratando de forró!

Tem um site chamado Forró em Vinil, onde ó possível baixar muitos forrós, álbuns inteiros estão disponíveis. http://www.forroemvinil.com/

Quem quiser ouvir forró online recomendo a Rádio Forroots, do meu amigo Tio Eli Moura. http://www.forroots.com.br/

Para quem quer conhecer um pouco a história do forró, recentemente descobri um blog bem bacana, o Por amor ao forró. http://forropedeserradf.blogspot.com.br/

O que mais você gosta de ouvir que não foi citado aqui? Compartilha conosco nos comentários! ;)

quinta-feira, 2 de julho de 2015

Monografia: QUEM DANÇA É MAIS FELIZ - Parte 8

     Olá pessoal! Já estamos chegando ao fim da Monografia. Este capítulo fala sobre Mobilidade, tópico super pertinente à dança. A qualidade dos  nossos movimentos reflete diretamente na nossa expressão, espontaneidade, criatividade, prazer e dança!
     Boa leitura!!!


QUEM DANÇA É MAIS FELIZ: AUMENTANDO A VITALIDADE POR MEIO DA BIOENERGÉTICA E DA DANÇA DE SALÃO 


Monografia apresentada para obtenção do título de Especialista em Psicoterapia Corporal no Curso de Pós Graduação em Psicologia Corporal, Instituto Reichiano.



12 MOBILIDADE

     A mobilidade natural do corpo se refere aos movimentos espontâneos ou involuntários sobre os quais são sobrepostos os movimentos conscientes maiores. Para Lowen (1984, p. 42), a mobilidade de uma pessoa se reflete na vitalidade de sua expressão facial, na qualidade de seus gestos e na extensão de suas reações emocionais. “A mobilidade corporal é a base de toda espontaneidade, que por sua vez é ingrediente essencial tanto do prazer como da criatividade”. Todo espasmo muscular crônico é uma limitação da liberdade do movimento e expressão do indivíduo. É portanto uma restrição da sua capacidade de prazer.
     Um corpo vivo está em constante movimento, só na morte ele está totalmente parado. Um corpo sadio está em constante estado de vibração, quer desperto ou dormindo, ondas pulsatórias se desenvolvem e se espalham pelo corpo como no batimento cardíaco que pulsa através das artérias e nos movimentos peristálticos do intestino, por exemplo. Lowen (1984, p. 42) relata que as ondas respiratórias associadas com os movimentos da respiração são as ondas pulsantes básicas do corpo e que quando essas ondas passam pelo corpo, ativam todo sistema muscular. A respiração fornece a energia para os movimentos.

A limitação da respiração impõe uma limitação sobre toda a mobilidade do corpo. (...) Sua livre movimentação garante a espontaneidade dos sentimentos e sua expressão. Isso significa que enquanto a respiração for plena e completa, não há bloqueios para o fluxo de sentimentos. A respiração leva ao movimento que é o veículo para a expressão do sentimento. (LOWEN 1984, p.42).

     Uma carga energética na musculatura produz a vibração, como uma corrente que passa por um fio elétrico. A falta de vibração é uma indicação de que a corrente de excitação ou carga está ausente ou muito reduzida. A qualidade de vibração de um corpo diz em que condições ele está. Quando há saúde, as vibrações do corpo são relativamente leves e constantes, como o som do motor de um carro em funcionamento. Quando o motor do carro é desligado, as vibrações cessam. “Da mesma forma, podemos dizer que indivíduos cujos corpos não vibram estão mortos emocionalmente.” (LOWEN, 1984, p. 42). Por outro lado, um corpo que treme violentamente é como um carro com o motor desregulado. Vibrações abruptas num corpo são sinal de que a excitação ou carga não está fluindo livremente, que está passando através de músculos espáticos ou cronicamente tensos. “Quando as tensões são aliviadas ou o músculo relaxa, as vibrações tornam-se mais sutis, dificilmente perceptíveis na superfície e são experienciadas como um delicioso ronronar.” É melhor tremer a não vibrar de jeito nenhum. Existem condições onde o corpo treme devido a uma carga extremamente intensa, como raiva, medo e agitos de soluço, momentos de plena vitalidade. (LOWEN & LOWEN, 1985, p. 16).
     Lowen (1984, p. 43) adere os “problemas de regulagem” no corpo humano às tensões musculares crônicas que “desenvolvem-se como inibições de impulsos e não podem ser eliminadas definitivamente a não ser pela liberação do movimento inibido.” Todo músculo cronicamente tenso é um músculo contraído que precisa ser estirado para ativar seu potencial de movimento. O estiramento do músculo, um tecido elástico, faz com que ele vibre levemente ou até num forte tremor, dependendo do grau de tensão e extensão. Qualquer que sejam suas qualidades, as vibrações servem para afrouxar a contratilidade crônica dos músculos.
     Quando o fluxo de uma excitação, como prazer, angústia ou raiva, por exemplo, é inibido, a musculatura é contraída, fazendo com que ela enrijeça e gere a hipertonia. Quando o impulso é recuado para o inconsciente e deixamos de fazer contato com ele, a área do corpo que deveria estar envolvida na expressão é amortecida, perdendo os sentimentos e sensações normais, ocasionando a hipotonia. Para entender as alterações do tônus muscular, é importante considerar os fluxos de energia no organismo, dado que a hipotonia muscular está intimamente ligada a condições de baixa carga na região afetada. A falta de tônus, que é o gerador de limite, permite que a energia vaze, Na região hipertônica há grande concentração de energia, porém preza. (REGO, 2008).
     Uma boa mobilidade faz-se necessário para ser tornar um bom dançarino. As tensões musculares crônicas limitam a liberdade do movimento e por consequência a expressão do dançarino. Quanto mais rígido o corpo, mais limitados e mecânicos são os movimentos e, menos graciosidade e sentimento possuem, o que faz com que a dança seja sem expressão e por consequência sem vitalidade. O cavalheiro com essa característica tende a apresentar conduções mais fortes, muitas vezes sendo brutas e desconfortáveis, e as damas, por sua vez, com a musculatura dos braços e ombros contraídos, à limitar a condução dos movimentos e a serem mais pesadas para conduzir. Quanto mais amortecido ou mole o corpo menos energia ele possui, mais lentos e descoordenados são seus movimentos, menores seus reflexos, e mais baixa sua resistência. O dançarino com essa característica possui pouca identificação com o corpo e seus movimentos aparentam um grande esforço, o cavalheiro apresenta dificuldades para que sua condução seja compreendida e a dama não responde a conduções ou a faz de forma lenta e atrasada. A dança é uma ótima forma de tonificar a hipotonia, fazendo com que o corpo se carregue com mais energia e que adquira mais firmeza e resistência. Em compensação, se mal trabalhada pode aumentar a rigidez em hipertonias e contrair musculaturas normais.


REFERÊNCIAS
REGO, Ricardo Amaral. A vida é dura para quem é mole: Considerações sobre aspectos psicológicos da hipotonia muscular. Monografia (Formação em Análise Bioenergética) – Instituto de Análise Bioenergética de São Paulo, São Paulo, 2008.
LOWEN, Alexander. Prazer: uma abordagem criativa da vida. São Paulo: Summus, 1984.
LOWEN, Alexander; LOWEN, Leslie. Exercícios de bioenergética: o caminho para uma saúde vibrante. São Paulo: Ágora, 1985.


     Um conteúdo a mais podem ser encontrado numa postagem que escrevi aqui do Blog em 2012, O Tônus Muscular na Dança de Salão, inclusive ela contribuiu para este capítulo da Monografia.


quinta-feira, 25 de junho de 2015

Monografia: QUEM DANÇA É MAIS FELIZ - Parte 7

     Você tem noção do quanto a má respiração interfere no desempenho do dançarino? Respirar mal gera maior tensão, mais ansiedade, produz mais suor, reduz a vitalidade e faz cansar precocemente. Respiração é o capítulo desta postagem da Monografia, um tema a  qual damos pouca atenção mas que define como vivemos.

     Antes de você continuar lendo, proponho um exercício, uma simples observação sobre sua respiração, pare alguns segundos e observe como está sua respiração. Não mude ela, apenas observe. Quais partes do seu corpo participam do movimento de respiração? Garganta, peito, abdomem, pelve? A respiração é curta ou mais profunda? Sente tensão em alguma parte do seu corpo? Durante a leitura observe se ela muda, se gera alguma tensão. Procure não julgar ou inibir, apenas observe! ;)

     Recomendo a leitura ou a releitura do capítulo anterior, o Grounding, para melhor compreensão deste. Boa leitura!!!



QUEM DANÇA É MAIS FELIZ: AUMENTANDO A VITALIDADE POR MEIO DA BIOENERGÉTICA E DA DANÇA DE SALÃO 


Monografia apresentada para obtenção do título de Especialista em Psicoterapia Corporal no Curso de Pós Graduação em Psicologia Corporal, Instituto Reichiano.



11 RESPIRAÇÃO


     O grounding está intimamente relacionado à respiração, quanto mais você se deixa interiormente acontecer, mais profunda é sua respiração. Para viver é preciso respirar e quanto melhor for a respiração, mais vivo irá se sentir. Através da respiração conseguimos o oxigênio para manter aceso o fogo do nosso metabolismo, e isto nos assegura a energia que precisamos. Mais oxigênio cria um fogo mais quente e produz mais energia (LOWEN & LOWEN, 1985). Uma respiração inadequada, de acordo com Lowen (1984, p. 31), reduz a vitalidade do organismo, a combustão metabólica não queima bem na ausência de oxigênio suficiente, “em vez de brilhar com a vida, a pessoa com má respiração é fria, inerte e sem vida. Não tem calor nem energia. Sua circulação é afetada diretamente pela falta de oxigênio.”
    A maioria das pessoas respira mal. Lowen & Lowen (1985) destacam o fato que os adultos tendem a apresentar padrões desorganizados de respiração, devido a tensões musculares crônicas, que distorcem e limitam sua respiração. Essas tensões são o resultado de conflitos emocionais que se desenvolveram ao longo do seu crescimento. 
  Além da respiração superficial, a maioria das pessoas têm uma forte tendência a prender a respiração em qualquer situação de estresse, mesmo em situações simples como dirigir, digitar, aguardar para serem atendidas ou dançarem. O resultado disso é o aumento da tensão. De acordo com Lowen (1984), a respiração inadequada provoca ansiedade, irritabilidade e tensão. Toda dificuldade em respirar causa ansiedade, se a dificuldade for grave pode levar ao pânico ou ao terror.
   Infelizmente é mais comum do que imaginamos a deficiência respiratória nos dançarinos, além daquelas originadas pelas tensões crônicas ao longo do corpo, que limitam o fluxo energético e o respiratório, deparamos com situações de estresse na dança, e não estamos falando de dançarinos profissionais, mas de pessoas comuns, que buscam a dança de salão como hobby, que quando se vêem com dificuldades de aprendizado, de execução, de compreensão, pouco a vontade com o par ou com o ambiente, quando se sentem avaliados, expostos ou em diversas outras situações, tendem a limitar ou a prender a respiração, o resultado é o aumento da tensão. Se levarmos em conta este ciclo e considerarmos o fator falta de grounding como insegurança e que este leva à sensação de estresse, podemos chegar a seguinte equação:

DANÇA: (-) grounding - (+) estresse – (-) respiração – (+) tensão
= cansaço, exaustão, fadiga, e suor.

(-) grounding = menor segurança
(-) respiração = menor produção de energia
(+) tensão = maior consumo de energia
(+) suor = esforço físico + tensão + estresse

     Quanto menor a segurança do dançarino, mais ele encontra-se suscetível à sentir-se estressado durante a dança, pegamos, por exemplo, um dançarino com um nível mais básico de dança, que vai dançar uma música rápida com um parceiro que não está habituado, temos pelo menos, dois fatores gerando estresse, a música rápida e o parceiro desentrosado. Como o corpo tende a prender a respiração numa situação de estresse, isso vai gerar tensões no corpo, o pouco oxigênio inspirado vai diminuir a produção de energia, e as tensões musculares vão consumir mais energia, resultado: temos um corpo consumindo mais energia pela atividade em exercício (neste caso a dança) e também para manter as tensões geradas pelo estresse, e que produz menos energia por prender a respiração e reduzir o oxigênio do metabolismo, com isso o organismo tende a ficar cansado ou ainda exausto conforme o consumo de energia. Além disso temos a produção do suor, que quando em excesso causa desconforto no dançarino e no parceiro. Suar ou transpirar serve para manter a temperatura do corpo e evitar o superaquecimento em ambientes quentes ou durante exercícios ou esforço físico. A transpiração também ocorre quando sentimos fortes emoções ou estresse, independente da temperatura. Este tipo de transpiração é normalmente conhecido como “suor frio”. “Emoções como medo, ansiedade ou estresse ativam a liberação do hormônio adrenalina e é essa descarga de adrenalina que desencadeia uma série de eventos no organismo, um dos quais é a transpiração.” (Tudo sobre a Transpiração, 2013). No exemplo acima, além do esforço físico realizado pela dança que aumenta a temperatura do corpo, e faz o corpo suar, temos o agravante da tensão e do estresse que a situação lhe proporciona aumentando a transpiração do dançarino.
     Lowen (1984, p. 33) atribui a dificuldade para respirar profundamente e com facilidade, ao medo de sentir, pois a respiração cria sensações. As pessoas “têm medo de sentir sua tristeza, sua raiva e suas apreensões”. Quando eram crianças seguravam a respiração para não chorar, puxavam o ombro para trás, tensionando o peito para conter a raiva e apertavam a garganta para evitar um grito. “O efeito de cada uma dessas manobras é a limitação e a redução da respiração. Da mesma maneira a contenção de qualquer sentimento resulta numa inibição da respiração”. Quando adultos, continuam a inibir a respiração para manter esses sentimentos reprimidos, dessa forma, a incapacidade para respirar normalmente torna-se o principal obstáculo para se recuperar a saúde emocional.
     A respiração saudável é uma ação do corpo todo, todos os músculos do corpo são envolvidos, em algum grau. A frente do corpo se move como um todo num movimento ondulante. Este tipo de respiração pode ser observado em crianças pequenas e animais, cujas emoções não foram bloqueadas. Toda tensão, em qualquer parte do corpo, perturba o padrão normal. A expiração, contudo, é um processo passivo, melhor exemplificado por um suspiro.
    Podemos pensar em movimentos respiratórios como ondas. A onda inspiratória começa fundo na pelve e flui para cima, até a boca; a onda expiratória percorre o caminho inverso. Lowen (1984, p. 34) descreveu dois distúrbios típicos da respiração, no primeiro, a respiração praticamente só acontece no peito, com uma relativa exclusão do diafragma e os músculos abdominais encontram-se fortemente contraídos. Essas tensões eliminam as sensações da parte inferior do corpo. O peito esvazia-se e, geralmente, torna-se estreito e apertado. A inspiração é limitada e, como resultado, verificam-se uma oxigenação e um metabolismo baixos. No segundo tipo, o peito vê-se imobilizado apesar do diafragma e do abdômen superior estarem relativamente livres. O peito geralmente mantém-se numa posição dilatada e os pulmões contêm uma grande quantidade de reserva de ar. Sentem dificuldade em esvaziar completamente os pulmões. A expiração é um procedimento passivo, equivale a “deixar acontecer”. A expiração completa é como ceder, aceitar a supremacia do corpo. Deixar que o ar saia é vivido por eles como uma perda de controle, o que eles temem. A respiração diafragmática é mais eficiente do que a torácica, pois fornece uma quantidade máxima de ar para um mínimo de esforço, contudo, a menos que tanto o peito como o abdômen estejam agindo durante a respiração, a unidade do corpo é quebrada e as reações emocionais ficam limitadas.
    A expiração induz ao relaxamento de todo o corpo, libera o ar retido nos pulmões e, neste processo, libera toda e qualquer outra retenção. “As pessoas que têm medo de se soltar apresentam dificuldades para uma expiração. (...) Por outro lado, as pessoas que têm medo de ir ativamente ao encontro do mundo, têm dificuldade em inspirar”. (LOWEN & LOWEN, 1985, p. 37).
     “A respiração profunda carrega o corpo e, literalmente, faz com que tenha vida”. O corpo, mostra sua vitalidade através dos olhos que brilham, da boa tonicidade muscular, da boa tonalidade da pele e da temperatura quente do corpo. “Tudo isso acontece quando uma pessoa respira profundamente”. (LOWEN 1984, p. 37).
     Exercícios respiratórios ajudam um pouco, mas não atingem as tensões musculares e os conflitos psicológicos que limitam a respiração profunda. O ar, em maior volume, produzido por esses exercícios não é totalmente absorvido pela corrente sanguínea e nem pelos tecidos. Apenas quando o corpo sente necessidade de mais oxigênio e faz um esforço espontâneo para respirar mais profundamente é que uma pessoa torna-se mais viva através da respiração. (LOWEN 1984). Liberando as tensões que desviaram o padrão respiratório do seu natural, podemos recuperar a respiração profunda. Alguns exercícios corporais relaxam as tensões musculares e estimulam a respiração, a psicoterapia auxilia e eliminar conflitos psicológicos e com isso aumentar a vivacidade. Procurar estar consciente da respiração permite perceber quando e como a inibe e assim fazer um esforço para voltar a respirar.


REFERÊNCIAS

LOWEN, Alexander. Prazer: uma abordagem criativa da vida. São Paulo: Summus, 1984.

LOWEN, Alexander; LOWEN, Leslie. Exercícios de bioenergética: o caminho para uma saúde vibrante. São Paulo: Ágora, 1985.

Tudo sobre transpiração. Disponível em: http://www.antiperspirantsinfo.com/pt/all-about-sweat/what-makes-us-sweat.aspx. Acesso em: 20/09/2013.

---

     Em uma postagem aqui do Blog de 2011 já havia abordado o tema respiração, nela contém mais detalhes sobre o mecanismo da respiração e seus aspectos psicológicos, fica a dica para uma leitura complementar! ;)


sexta-feira, 19 de junho de 2015

Monografia: QUEM DANÇA É MAIS FELIZ - Parte 6

     Olá pessoal, já estamos nos últimos capítulos da Monografia, e por sinal os mais interessantes! Enquanto os anteriores nos traziam entendimento sobre o porque de nossos comportamentos na vida e na dança, este os seguintes nos mostrarão caminhos para mudanças e vão justificar o título do trabalho 'Aumentando a Vitalidade por meio da Bioenergética e da Dança de Salão'. 
     Este capítulo fala sobre ter base, estar em contato. Quem já fez aula comigo sabe o quanto cobro do aluno estar com os pés no chão e com os joelhos levemente flexionados, com essa leitura poderão compreender melhor a importância dessa postura e os benefícios que ela proporciona.

     Boa leitura! E fiquem a vontade para compartilhar e comentar!


QUEM DANÇA É MAIS FELIZ: AUMENTANDO A VITALIDADE POR MEIO DA BIOENERGÉTICA E DA DANÇA DE SALÃO 


Monografia apresentada para obtenção do título de Especialista em Psicoterapia Corporal no Curso de Pós Graduação em Psicologia Corporal, Instituto Reichiano.



10 GROUNDING

     Na Bioenergética, grounding é o contato da pessoa com o chão, é estar com os pés no chão e não suspensa no ar. Segundo Lowen (1982, p. 169), “a pessoa que não está em contato com o solo também não está em contato com a realidade, na mesma proporção”. A pessoa firmemente plantada na terra está identificada com seu corpo, ciente da sua sexualidade e orientada para o prazer, qualidades que faltam à pessoa que está ‘suspensa no ar’, ou na sua cabeça.
     Na cultura em que vivemos, temos dado muita ênfase à parte superior do corpo, através do incentivo ao desenvolvimento do intelecto, de habilidades manuais e verbais, com isso nos afastamos da metade inferior, que é de natureza muito mais animal em suas funções (locomoção, defecação e sexualidade). Funções mais instintivas e menos submetidas ao controlo consciente. Lowen faz uma observação que pode ser diretamente ligada a dança: 

(...) é em nossa natureza animal que residem as qualidades de ritmo e graça. Qualquer movimento que flui livremente da parte inferior do corpo tem tais qualidades. Quando nos puxamos para cima e para longe da metade inferior do corpo, perdemos muito do nosso ritmo e graça naturais. (LOWEN & LOWEN 1985, p.25)

     Aqui encontramos o primeiro aspecto onde o grounding interfere diretamente na dança, a qualidade dos movimentos. O grau de sensação de contato com o chão varia largamente de pessoa para pessoa. Quanto maior o grounding do dançarino, mais rítmicos e graciosos são seus movimentos, possui maior força e precisão e a dança é executada sem esforço e sabiamente. Quanto menor o grounding, mais o dançarino tende a compensar tecnicamente, porém, nesta condições, os movimentos deixam de fluir livremente e passam a ser mecânicos, e por mais que sejam perfeitamente executados, a dança perde a vivacidade, ou usando os termos do Lowen, os movimentos perdem a “graça natural”.
     O outro aspecto a qual o grounding interfere na dança, está relacionado a segurança. Lowen & Lowen (1985, p.23) dizem que “grounding implica em conseguir que a pessoa ‘deixe acontecer’, fazendo seu centro de gravidade recair mais embaixo; implica em fazê-la sentir-se mais perto da terra. O resultado imediato é que aumenta seu senso de segurança.” A pessoa altamente carregada ou excitada tende a ir para cima, voar. Nestas condições, apesar da sensação de excitação, ou elação, há sempre um elemento de ansiedade e perigo, o perigo de cair. A direção descendente, de acordo com Lowen & Lowen (1985), é o caminho para o prazer, da liberação ou descarga, o estado inconsciente de se manter suspenso gera medo de cair, medo de falhar e, portanto, medo de deixar acontecer e da entrega aos próprios sentimentos. Este estado de insegurança reflete diretamente no comportamento do dançarino, prejudicando a postura, o equilíbrio, a manutenção do ritmo, e a comunicação entre os pares, a ansiedade induz o cavalheiro a conduzir o próximo passo precipitadamente e a dama a tentar prever e se antecipar ao próximo movimento. O medo de falhar faz com que o dançarino se mantenha em uma zona de conforto, executando apenas movimentos que sente segurança e dançando com pares conhecidos ou que estejam no mesmo nível de dança ou inferior. O medo de deixar acontecer e da entrega aos sentimentos impede que o dançarino possa desfrutar de todo o prazer que a dança pode proporcionar, Lowen & Lowen (1985, p.24) dizem que “as pessoas que têm medo desse deixar acontecer são bloqueadas em sua habilidade de entrega total à descarga e não conseguem experimentar a total satisfação”.
     A dança de salão, praticada em bailes, é executada totalmente de improviso, utiliza-se movimentos e técnicas aprendidos e treinados durante as aulas, mas quando executados num baile sofrem influencia de vários fatores, como o par com quem se está dançando, se é do mesmo nível de dança, se a condução do cavalheiro é clara e precisa, se a resposta da dama é precisa, se a dama propõe movimentos; o local, se possui costumes próprios como ronda do salão ou normas como não executar passos aéreos; as condições do salão, como piso escorregadio ou prendendo, salão cheio, pessoas paradas no meio da pista, iluminação; a leitura que os dançarinos fazem da música (musicalidade); o estado emocional dos dançarinos naquele dia, naquela dança; entre outros fatores, tudo isso influencia na dança. Quanto menor o grounding, menor é o senso de segurança do dançarino, e maiores são as influencias que o meio externo exerce sobre sua dança gerando insegurança e/ou ansiedade.
    Lowen destaca a importância do posicionamento dos joelhos para aumentar e permanecer em grounding, eles devem ser mantidos discretamente flexionados o tempo todo. Quando os joelhos estão trancados enquanto se está de pé, toda a parte inferior do corpo, dos quadris para baixo, torna-se uma estrutura rígida que funciona então como suporte mecânico de locomoção, impedindo o indivíduo de fluir para a parte inferior do corpo e identificar-se com ela. (LOWEN & LOWEN, 1985). Quando observamos uma pessoa “dura” dançando, pode-se notar que esta utiliza muito pouco ou quase nada das articulações em seus movimentos, principalmente joelhos, tornozelos e quadril, o seu corpo se movimenta como um bloco, de forma rígida. Os joelhos são responsáveis por absorver os choques do corpo, funcionam como amortecedores. Quando o corpo sofre uma pressão, de caráter física ou psicológica, os joelhos se flexionam e permitem que a força seja transmitida através do corpo até o chão. Se os joelhos estão trancados, a força fica congestionada na região lombar das costas, produzindo uma condição de pressão (stress) que resultará num distúrbio de coluna lombar (LOWEN & LOWEN, 1985).
     Bioenergeticamente falando, grounding serve para o sistema energético do organismo da mesma forma que para um circuito elétrico de alta tensão e é constituído de uma válvula de segurança para descarga de excessos de excitação. Num sistema elétrico, o acúmulo súbito de carga pode queimar uma parte da instalação ou provocar um incêndio. “Na personalidade humana, o acúmulo de energia também poderá ser perigoso caso a pessoa não tenha contato com o chão. A pessoa pode fragmentar-se, ficar histérica, sentir ansiedade ou entrar em depressão.” (LOWEN, 1982, p. 171).
     Pernas firmes, com energia e bem plantadas no chão implicam uma percepção de si mesmo e da realidade externa que resulta no sentimento de segurança. Quanto mais a pessoa sente seu contato com o chão, mais consegue pôr-se em seu lugar, mais carga consegue suportar e mais sentimentos consegue manipular. (LOWEN, 1982). Se o indivíduo estiver bem grounded, seu corpo estará naturalmente equilibrado, ereto e firme. Sua energia fluirá naturalmente. Poderá inclusive notar que seus olhos estão vendo mais claramente e sua visão melhorou. (LOWEN & LOWEN, 1985).


REFERÊNCIAS
LOWEN, Alexander. Bioenergética. São Paulo: Summus, 1982.
LOWEN, Alexander; LOWEN, Leslie. Exercícios de bioenergética: o caminho para uma saúde vibrante. São Paulo: Ágora, 1985.