sexta-feira, 17 de junho de 2011

A Psicologia e a Dança de Salão

Antes de me tornar professor, quando era apenas um praticante de Danças de Salão sem maiores pretensões, comecei a perceber que o corpo enquanto dançava passava sinais de como era o comportamento da pessoa fora dos salões, no seu dia-a-dia. Como afirma a forte expressão e o famoso livro, 'o corpo fala', então comecei a ouvi-lo, sem grandes aprofundamentos ou avaliações, apenas percebia algumas características da dama a qual estava dançando, como independência, insegurança, auto-controle, dificuldade de contato, de entrega, entre outros, e aquilo me despertou um interesse.

Tive a idéia de fazer uma parceria com uma psicóloga para estudarmos o assunto, cheguei a conversar com algumas amigas profissionais e estudantes da área, elas achavam interessante, mas até então nada colocado em prática.

Quando comecei a lecionar, observei que era difícil conseguir alguns resultado com certos alunos, como correção de postura, desinibição, segurança, condução, resposta, entrega, ritmo e tantos outros. Muitas vezes eles até desenvolviam a ideia enquanto exercício, mas não conseguiam a deixar natural. Então comecei a me questionar se era só uma questão de didática ou se tinha algo a mais, se tinha alguma influência psicológica. A segunda hipótese me pareceu certa. E aí estava a psicologia me rodeando novamente.

Num dos forrós da vida, encontro uma amiga que não a via há um tempo. Ela estava terminando a graduação em psicologia e idealizando uma especialização em Psicodrama. Comentei com ela minha antiga ideia de estudo, até para quem sabe ela ser minha parceira nesta empreitada, pois além do conhecimento em psicologia ela também dança, mas sua ausência de tempo disponível adiaria mais uma vez minha ideia. Ou não.

Ter relembrado novamente esta ideia me fez ficar pensando a respeito, até que me veio o insight: eu mesmo vou estudar psicologia e desenvolver esta pesquisa!

Como não tinha 'paciência' para cursar mais uma faculdade, decidi por fazer uma especialização. Uma ex-namorada se especializou em Psicologia Corporal, enquanto estávamos juntos ela sempre comentava algo a respeito e eu me interessava, então fui pesquisar a respeito. Gostei! Tinha tudo a ver com a dança! Restava a instituição. Não gostei muito da forma de trabalho do centro onde ela havia concluído seu curso. Então fui conversar com uma amiga, professora de dança do ventre, que já estava cursando. Ela estava gostando muito e principalmente conseguindo fazer um paralelo entre a Psicologia e a Dança. Ela me indicou a instituição onde estudava. Entrei em contato, marquei a entrevista. Amei o lugar, as pessoas e principalmente como acolheram e apoiaram meu objetivo (opa, agora já era mais que ideia) de conciliar a Psicologia e a Dança de Salão. Fiz minha matrícula.

Agora estou na metade do segundo ano da Especialização em Psicologia Corporal no Instituto Reichiano, ainda tenho mais um ano e meio de curso. Não pretendo atuar na clínica, também não posso, pois como não sou graduado em Psicologia, não posso tirar CRP (credencial no conselho). Meu objetivo é entender o comportamento humano e, aprender e desenvolver formas de trabalho, para ajudar os alunos e dançarinos e se desprenderem das limitações que desenvolveram durante a vida, uma forma de ajudá-los a se libertarem através da dança.

Ainda não desenvolvi uma linha de trabalho com a utilização da Psicologia no auxilo à Dança de Salão, mas também não tenho pressa, pois ainda tenho meio curso pela frente, muito estudo e pesquisa. Algumas coisas já venho experimentando e tenho gostado do resultado. Se tudo der certo, em poucos anos apresento meu estudo a respeito.

Enquanto isso vou aproveitando o espaço do Blog para compartilhar algumas pesquisas a respeito da Psicologia Corporal, nem todas terão um paralelo direto com a Dança de Salão, mas com certeza alguma influência.

terça-feira, 14 de junho de 2011

“Pare de correr porque o fim chega mais depressa"

O texto não fala sobre dança mas tem um conteúdo muito expressivo para nossa vida e por isso resolvi postá-lo aqui. Mas com certeza se colocado em prática sobrará muito mais tempo para atividades de lazer e principalmente para a dança! É uma pena não ter o nome do autor.

Texto escrito por um brasileiro que vive na Europa e trabalha na Volvo.

"Já vai para 18 anos que estou aqui na Volvo, uma empresa sueca.

Trabalhar com eles é uma convivência, no mínimo, interessante.
Qualquer projeto aqui demora 2 anos para se concretizar, mesmo que a idéia seja brilhante e simples. É regra. Então, nos processos globais, nós (brasileiros, americanos, australianos, asiáticos) ficamos aflitos por resultados imediatos, uma ansiedade generalizada. Porém, nosso senso de urgência não surte qualquer efeito neste prazo.

Os suecos discutem, discutem, fazem "n" reuniões, ponderações. E trabalham num esquema bem mais "slow down". O pior é constatar que, no final, acaba sempre dando certo no tempo deles com a maturidade da tecnologia e da necessidade: bem pouco se perde aqui.

E vejo assim:
1. O país é do tamanho de São Paulo;
2. O país tem 2 milhões de habitantes;
3. Sua maior cidade, Estocolmo, tem 500.000 habitantes (compare com Curitiba, que tem 2 milhões);
4. Empresas de capital sueco: Volvo, Scania, Ericsson, Electrolux, ABB, Nokia, Nobel Biocare... Nada mal, não?
5. Para ter uma idéia, a Volvo fabrica os motores propulsores para os foguetes da NASA.

Digo para os demais nestes nossos grupos globais: os suecos podem estar errados, mas são eles que pagam nossos salários.

Entretanto, vale salientar que não conheço um povo, como povo mesmo, que tenha mais cultura coletiva do que eles.

Vou contar para vocês uma breve só para dar noção.

A primeira vez que fui para lá, em 90, um dos colegas suecos me pegava no hotel toda manhã. Era setembro, frio, nevasca. Chegávamos cedo na Volvo e ele estacionava o carro bem longe da porta de entrada (são 2.000 funcionários de carro). No primeiro dia não disse nada, no segundo, no terceiro... Depois, com um pouco mais de intimidade, numa manhã, perguntei: "Você tem lugar demarcado para estacionar aqui? Notei que chegamos cedo, o estacionamento vazio e você deixa o carro lá no final."

Ele me respondeu simples assim: "É que chegamos cedo, então temos tempo de caminhar - quem chegar mais tarde já vai estar atrasado, melhor que fique mais perto da porta. Você não acha?". 

Olha a minha cara! Ainda bem que tive esta na primeira. Deu para rever bastante os meus conceitos.

Há um grande movimento na Europa hoje, chamado Slow Food. A Slow Food International Association - cujo símbolo é um caracol, tem sua base na Itália (o site, é muito interessante. Veja-o!).

O que o movimento Slow Food prega é que as pessoas devem comer e beber devagar, saboreando os alimentos, "curtindo" seu preparo, no convívio com a família, com amigos, sem pressa e com qualidade. A idéia é a de se contrapor ao espírito do Fast Food e o que ele Representa como estilo de vida em que o americano endeusificou.

A surpresa, porém, é que esse movimento do Slow Food está servindo de base para um movimento mais amplo chamado Slow Europe como salientou a revista Business Week numa edição européia.

A base de tudo está no questionamento da "pressa" e da "loucura" gerada pela globalização, pelo apelo à "quantidade do ter" em contraposição à qualidade de vida ou à "qualidade do ser".

Segundo a Business Week, os trabalhadores franceses, embora trabalhem menos horas (35 horas por semana) são mais produtivos que seus colegas Americanos ou ingleses.

E os alemães, que em muitas empresas instituíram uma semana de 28,8 horas de trabalho, viram sua produtividade crescer nada menos que 20%.

Essa chamada "slow atitude" está chamando a atenção até dos americanos, apologistas do "Fast" (rápido) e do "Do it now" (faça já).

Portanto, essa "atitude sem-pressa" não significa fazer menos, nem ter menor produtividade. Significa, sim, fazer as coisas e trabalhar com mais "qualidade" e "produtividade" com maior perfeição, atenção aos detalhes e com menos "stress".
Significa retomar os valores da família, dos amigos, do tempo livre, do lazer, das pequenas comunidades, do "local", presente e concreto em contraposição ao "global" - indefinido e anônimo. Significa a retomada dos valores essenciais do ser humano, dos pequenos prazeres do cotidiano, da simplicidade de viver e conviver e até da religião e da fé. Significa um ambiente de trabalho menos coercitivo, mais alegre, mais "leve" e, portanto, mais produtivo onde seres humanos, felizes, fazem com prazer, o que sabem fazer de melhor.

Gostaria que você pensasse um pouco sobre isso... Será que os velhos ditados "Devagar se vai ao longe" ou ainda "A pressa é inimiga da perfeição" não merecem novamente nossa atenção nestes tempos de desenfreada loucura?
Será que nossas empresas não deveriam também pensar em programas sérios de "qualidade sem-pressa" até para aumentar a produtividade e qualidade de nossos produtos e serviços sem a necessária perda da "qualidade do ser"?

No filme "Perfume de Mulher", há uma cena inesquecível, em que um personagem cego, vivido por Al Pacino, tira uma moça para dançar e ela responde: - "Não posso, porque meu noivo vai chegar em poucos minutos." - "Mas em um momento se vive uma vida" - responde ele, conduzindo-a num passo de tango. E esta pequena cena é o momento mais bonito do filme.

Algumas pessoas vivem correndo atrás do tempo, mas parece que só alcançam quando morrem enfartados, ou algo assim. 

Para outros, o tempo demora a passar; ficam ansiosos com o futuro e se esquecem de viver o presente, que é o único tempo que existe.

Tempo todo mundo tem, por igual! 
Ninguém tem mais nem menos que 24 horas por dia. A diferença é o que cada um faz do seu tempo. Precisamos saber aproveitar cada momento, porque, como disse John Lennon: - "A vida é aquilo que acontece enquanto fazemos planos para o futuro"...

Parabéns por ter lido até o final! 
Muitos não lerão esta mensagem até o final, porque não podem "perder" o seu tempo neste mundo globalizado.

Pense e reflita, até que ponto vale a pena deixar de curtir sua família.
De ficar com a pessoa amada, ir pescar no fim de semana ou outras coisas...
Poderá ser tarde demais!

Saber aprender para sobreviver...
DIVULGUEM AOS AMIGOS !!!"

quinta-feira, 9 de junho de 2011

Passos aéreos no salão?

Na coluna Dança e Comportamento do site Dança em Pauta a Maristela Zamoner escreveu sobre um assunto muito pertinente sobre a dança de salão nos dias atuais, fala sobre a utilização de passos aéreos durante os bailes, atitude que tem sido muito frequente na prática do Sertanejo Universitário. Concordo com a autora no tema, as pegadas, como também são chamados esse passos, fazem parte da dança de salão, abrilhantam o espetáculo, mas devem ser praticadas com responsabilidade, no local e momento devido e não no meio do baile colocando em risco a si, o parceiro e demais frequentadores.

No artigo a autora foi infeliz ao falar sobre o Lindy Hop sem muito conhecimento de causa, o que gerou muitos comentários e revolta, principalmente de professores de dança, mas isolando o assunto vale apena conferir:

http://www.dancaempauta.com.br/site/artigo/passos-aereos-e-danca-de-salao-ainda-ha-duvida/

Qual a sua opinião a respeito do uso de passos aéreos no salão durante o baile?

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Maior Roda de Cassino do Brasil!!!

Durante o Congresso Mundial de Salsa do Brasil, realizado em São Paulo em outubro de 2010, como parte da comemoração de 10 anos do evento, foi realizado a maior Roda de Cassino do Brasil, com 194 pessoas de 16 estados brasileiros e ao todo de 5 países (Brasil, Cuba, França, Alemanha e Portugal).

Eu fiz parte dessa roda!  \o/

Para quem quiser conferir os participantes da Roda de Cassino Gigante é só entrar no site do Congresso: http://www.salsacongress.com.br/conteudo/atividades-/rueda-gigante-256.mstp

Vejam o vídeo:

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

O velho Forró conquista seguidores entre a classe média urbana

Por: Adriana Caitano (www.veja.abril.com.br)

Jovens dos grandes centros formam comunidade dedicada ao estilo difundido a partir do Nordeste há mais de cinquenta anos.

O que você seria capaz de fazer por amor à música que gosta de ouvir? Enfrentaria 20 horas de estrada quatro vezes ao ano para ir a um lugar onde pudesse escutá-la durante uma semana, o dia todo? Deixaria de lado amigos que não compartilham do seu gosto? Gastaria todo o seu salário em shows e discos de vinil antigos? Tatuaria a sua paixão no corpo? Pode parecer loucura de algum amante do rock – vide as tatuagens de fãs de Paul McCartney e Lou Reed –, mas ações como essas são praticadas em nome de um ritmo genuinamente brasileiro: o forró. Nos últimos dez anos, longe da TV e das agendas dos produtores de grandes shows, jovens universitários espalhados pelo Brasil – e até fora dele – criaram uma comunidade capaz de excessos pelo gênero consagrado por Luiz Gonzaga (1912-1989). E nesta segunda, data do aniversário de Gonzagão, voltam a arriscar passos para comemorar o Dia Nacional do Forró, criado em 2005.

Não se trata do forró universitário, aquele que esteve na onda nos anos 1990 (leia mais abaixo). Aqui, o altar é armado para o autêntico forró pé-de-serra – nome que remete a arrasta-pés como aqueles de que Gonzaga tomou parte no sertão, ao pé de uma serra. O legado do ídolo tem uma fórmula simples: sanfona, triângulo e zabumba. É o que basta para garantir horas e horas de animação. Uns curtem o show de perto, pulando e cantando – sim, eles sabem de cor letras de músicas criadas cinquenta anos atrás. Mas a maioria também dança. As meninas vestem saia rodada, sapatilha ou sandália rasteira – salto alto aqui é contra a etiqueta. Os meninos, bermuda e chinelo. Testa com testa, barrigas encostadas, corpos abraçados, rodopiam a noite inteira. Engana-se quem pensa que são todos nordestinos. Boa parte dos seguidores do forró sequer conhece o Nordeste ou tem ligação com ele. São paulistas, cariocas, mineiros, curitibanos, brasilienses e capixabas que descobriram o ritmo difundido ainda antes de nascerem. Poucos chegaram a ver Gonzaga vivo, mas o têm como mestre absoluto. Até de santo ele é chamado.

Os festivais - Não há meio termo. Quem entra na dança entra de cabeça. Ir ao forró duas, três vezes por semana é pouco. Ouvir forró em casa, no trabalho e no carro também é pouco. À semelhança de drogas estimulantes, o ritmo causa uma espécie de dependência. Para se satisfazer, seus adeptos criaram festivais, quase sempre em sítios afastados dos centros urbanos. Há pelo menos cinco grandes eventos por ano, com nomes que lembram o purismo dos adoradores do chamado forró pé-de-serra, o mais tradicional: o Rio Roots, no Rio de Janeiro; o Rootstock, em São Paulo; o Brasil Roots, no Espírito Santo; o mineiro Minas Roots, e o brasiliense Cerrado Roots. Roots é o plural da palavra inglesa root, que significa raiz. O termo também serve às acomodações dos festivais, onde todos acampam em barracas, dividindo banheiros e passos de dança. 

Além dos cinco festivais citados, há aquele que talvez seja o mais representativo do gênero no país, o Festival Nacional de Forró de Itaúnas, vila capixaba conhecida como a Meca do forró. Criado em 2000, o evento tem caráter competitivo e busca revelar talentos do estilo. Durante dez dias, jovens do país inteiro ocupam as pousadas do local – e forrozeiro que se preze tem de ir pelo menos uma vez a Itaúnas – para assistir aos shows ou dançar forró na praia, nos bares, nas padarias e no meio da rua.

O grupo de forró universitário Falamansa

Origem - A maioria chegou ao forró nos anos 1990, levada pela onda do chamado forró universitário. O Trio Virgulino, composto por três pernambucanos, foi o precursor da moda. “Nós começamos fazendo shows do jeito tradicional para os estudantes da USP(Universidade de São Paulo). O público foi aumentando até não caber mais. Então, alguém viu potencial financeiro naquele público e criou o termo forró universitário para atrair mais gente”, conta Enoque Virgulino, sanfoneiro e vocalista do trio, que já tem 30 anos de estrada. O estilo ganhou maior visibilidade quando três jovens paulistas convidaram um sanfoneiro nordestino e pularam com ele da plateia para o palco, criando o grupo Falamansa. Além de tocar os forrós antigos, a banda salpicou o ritmo com toques de reggae e letras urbanas que – diferentemente das nordestinas, que tratavam de seca – falavam de alegria, amores bem resolvidos e consciência ecológica. O grupo foi um estouro, reuniu multidões e vendeu mais de 2 milhões de discos. E segue fazendo shows.

Muitos dos que conheceram o forró a partir da leitura urbana do Falamansa ficaram curiosos para saber de onde vinha aquilo. Começaram a comprar discos de vinil e a pesquisar a história de Luiz Gonzaga e outros mestres do ritmo como Dominguinhos, que comemora o resgate. “São jovens que cresceram pesquisando forró na internet e estão levando o meu legado adiante.” 
Dominguinhos, herdeiro de Gonzagão

Enquanto ouviam os mestres, os próprios jovens foram criando suas músicas e formando seus trios. Influenciado pelo que ouvia de um tio sanfoneiro, Danilo Ramalho uniu-se aos dois irmãos – um deles mais tarde substituído por um amigo – e montou o Trio Dona Zefa. Saído de Campinas (SP), o trio conquistou o primeiro lugar do Festival de Itaúnas, em 2006, e ganhou o mundo. Em 2009, fez uma turnê de 15 shows por quatro países da Europa – Itália, Portugal, Inglaterra e Alemanha –, para onde deve voltar em 2011. “Além de brasileiros, havia estrangeiros na plateia que cantavam nossas músicas sem nem entender”, relata Danilo.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Coreografia Trio Forrozeiro no Espetáculo Sensações da Dance Sempre


No dia 5 de dezembro a Dance Sempre realizou o espetáculo de final de ano chamado Sensações. Aconteceu no Teatro Fernanda Montenegro, com apresentações de alunos, professores e bolsistas. Com o auditório lotado, todos curtiram apresentações de dança de salão, ballet, dança do ventre, hip hop e jazz.

Levando adiante a idéia de dançar forró com duas damas, lembrando que começou como brincadeira, disso surgiu uma apresentação de improviso e agora a coreografia, qual será o próximo passo? workshop? rsrs. estamos aí! Segue abaixo fotos e o vídeo da apresentação no espetáculo:

Coreografia: Trio Forrozeiro;
Coreógrafo: Diogo Oliveira;
Dançarinos: Aline Michels, Carol Rocion e Diogo Oliveira.





Álbum de fotos:
Trio Forrozeiro - Espetáculo Sensações

Fotos: Viewfinder Studio.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Antes idiota que infeliz!

Por: Arnaldo Jabor

Uma vez Renato Russo disse com uma sabedoria ímpar: "Digam o que disserem, o mal do século é a solidão". Pretensiosamente digo que assino embaixo sem dúvida alguma. Parem pra notar, os sinais estão batendo em nossa cara todos os dias. Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e transparentes, danças e poses em closes ginecológicos, chegam sozinhas e saem sozinhas. Empresários, advogados, engenheiros que estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos. Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos "personal dance", incrível. E não é só isso não, se fosse, era resolvido fácil, alguém duvída?

Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho sem necessariamente ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico, fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão "apenas" dormirem abraçados, sabe essas coisas simples que perdemos nessa marcha de uma evolução cega. Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção. Tornamos-nos máquinas e agora estamos desesperados por não saber como voltar a "sentir", só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós.

Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada no site de relacionamentos ORKUT, o número de comunidades como: "Quero um amor pra vida toda!", "Eu sou pra casar!" até a desesperançada "Nasci pra ser sozinho!" Unindo milhares ou melhor milhões de solitários em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis. 

Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento e estamos a cada dia mais belos e mais sozinhos. Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário, pra chegar a escrever essas bobagens (mais que verdadeiras) é preciso encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa. 

Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia é feio, démodé, brega.

Alô gente! Felicidade, amor, todas essas emoções nos fazem parecer ridículos, abobalhados, e daí? Seja ridículo, não seja frustrado, "pague mico", saia gritando e falando bobagens, você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta mais (estou muito brega!), aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso à dois. 

Quem disse que ser adulto é ser ranzinza, um ditado tibetano diz que se um problema é grande demais, não pense nele e se ele é pequeno demais, pra que pensar nele. Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo ou uma advogada de sucesso que adora rir de si mesma por ser estabanada; o que realmente não dá é continuarmos achando que viver é out, que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso me aventurar a dizer pra alguém: "Vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida".