sexta-feira, 12 de junho de 2015

Monografia: QUEM DANÇA É MAIS FELIZ - Parte 5

     Olá pessoal! “Não há palavras mais claras do que a linguagem da expressão corporal, uma vez que se tenha aprendido a lê-la” (Lowen).

     Boa leitura!!!


QUEM DANÇA É MAIS FELIZ: AUMENTANDO A VITALIDADE POR MEIO DA BIOENERGÉTICA E DA DANÇA DE SALÃO 


Monografia apresentada para obtenção do título de Especialista em Psicoterapia Corporal no Curso de Pós Graduação em Psicologia Corporal, Instituto Reichiano.



9 LINGUAGEM DE EXPRESSÃO CORPORAL

     Nosso modo de viver é a consequência do caráter ou personalidade que formamos, com defesas psíquicas e somáticas estruturadas, levando a ações, comportamentos e reações que passam a ser padronizados. Esta personalidade passa a ser expressa em cada ação ou atitude, tornando-se nossa linguagem de expressão corporal. Lowen (1977, p.101) afirma que “não há palavras mais claras do que a linguagem da expressão corporal, uma vez que se tenha aprendido a lê-la”. Em seu livro O Corpo em Terapia: a abordagem bioenergética, Lowen apresenta aspectos físicos com correlatos psíquicos e comportamentais, que contribuem muito para a leitura corporal e a compreensão do indivíduo na vida e na dança. Abaixo seguem algumas associações apresentadas no livro:
      Começando pelas pernas e pés, que constituem as bases e suporte do ego, eles têm a função de contato com o chão e estar no chão é estar em contato com a realidade, o oposto de “estar nas nuvens”. Além das funções de suporte, equilíbrio, enraizamento, as pernas são as estruturas mais importantes na função de movimento corporal. Se a função de suporte é fraca, podemos também esperar problemas de mobilidade. Medimos a mobilidade nas pernas pela habilidade em mover livremente a pélvis sem usar qualquer parte do tronco no movimento. Movimento semelhante ao exigido em danças como samba, salsa e zouk. Requerem uma articulação relaxada e flexível no joelho, a pélvis solta dentro do tronco e o relaxamento de todos os músculos das pernas. Existem três condições que impedem esta mobilidade básica: fraqueza, volume e rigidez. 
     Indivíduos que têm os músculos das pernas subdesenvolvidos, tornozelos fracos e pé chato, encontrarão séria dificuldade na execução e manutenção de tais movimentos. Em primeiro lugar, sofrem de uma falta de controle sobre os músculos necessários e, em segundo, cansam-se muito facilmente. As grossas, gordas e volumosas coxas apresentam falta de mobilidade tão pronunciada que dizemos que tais pessoas têm “chumbo nos pés”. O acúmulo de gordura ao redor das nádegas e coxas é interpretado na bioenergética como resultado de uma estagnação da energia nesta região devido à mobilidade inibida. Nas pernas rígidas, os músculos são tão contraídos que frequentemente o equilíbrio se vê ameaçado. A rigidez deve ser encarada como uma compensação pelo sentimentos de fraqueza. O andar de indivíduos com músculos das pernas hipertônicos é mecânico e rápido, dado que em face de um relaxamento, manifestam-se sentimentos de fraqueza e insegurança.
     As pernas podem ser fracas, pesadas ou rígidas, ou ainda apresentar uma mistura desses elementos. Na análise da estrutura, dá-se atenção a cada componente, bem como ao aspecto total. Os pés podem ser estreitos ou largos, os dedos apertados uns contra os outros ou afastados, o arco caído, relaxado ou severamente contraído. Os músculos da perna podem ser informes ou nodosos. Os pés na postura natural da pessoa podem estar retos e paralelos, virados para fora em virtude da espasticidade dos músculos glúteos ou virados para dentro. Cada problema é percebido em termos de seus efeitos sobre a função de suporte e movimento.
    Quando analisamos corporalmente uma pessoa, nossa atenção se dirigi primeiramente para sua postura. Está ereto, quase caindo para trás ou debruçado para frente? O peso do corpo está colocado sobre as pernas ou sobre o sacro? O paciente está de pé sobre seus calcanhares ou sobre a parte arredondada da sola dos pés? Quando o peso do corpo está diretamente colocado sobre os tornozelos, a posição em pé pode ser facilmente destruída por um pequeno empurrão para trás. Agressividade ou movimento não são possíveis, exceto por uma pressão exercida através da parte anterior do pé.
A relação da pélvis com as pernas e o tronco é muito importante devido à função genital. A pélvis pode ter uma movimentação livre, o que confere a graça especial do movimento, ou pode estar imobilizada numa posição de avanço ou recuo. É evidente a quebra da linha natural do copo nestas últimas posições. Com a pélvis mantida para frente e erguida, ocorre tensão nos músculos abdominais, espasticidade no reto abdominal e contração das nádegas. A impressão é de que o indivíduo está fechando os canais naturais de descarga. Uma pélvis imóvel está associada a uma diminuição da potencia sexual. A pélvis bastante retraída, fixada nessa posição, representa uma severa repressão sexual.
     A espinha dorsal é um elemento importante na estrutura corporal. A fraqueza nesta região deve estar refletida num sério distúrbio de personalidade. O indivíduo com uma corcunda para trás, não pode ter a mesma força de ego de uma pessoa que tem as costas retas. Por outro lado, a rigidez da espinha, embora aumentando a força do suporte, diminui a flexibilidade. Além disso, tais indivíduos frequentemente têm dores nas costas. (Nestes casos, a redução da tensão nos músculos lombossacrais, a mobilização da pélvis, a análise do conflito reprimido e a resolução do problema do impulso inibido, resultaram no completo desaparecimento da dor e dá má colocação). A rigidez da espinha dorsal não é só evidente na perda da flexibilidade do movimento, pode ser sentida através do tato na tensão dos músculos lombares.
     Desde que Reich chamou a atenção para a importância da respiração no fluxo dos sentimentos, o estudo dos movimentos respiratórios ocupa um importante lugar na análise bioenergética. Procura-se ver se o peito está aumentando e mantido rigidamente nesta posição, ou se está à vontade, relaxado. Um peito estufado é o reflexo de um ego estufado. Por outro lado o peito relaxado, embora em relação com maior sentimentalidade, não necessariamente indica saúde. Numa estrutura saudável o peito está relaxado e os movimentos respiratórios mostram a unidade de peito, diafragma e abdômen na inspiração e expiração.
     A posição e mobilidade dos ombros são tão significativas para as funções do ego quanto às pernas e pélvis são para as funções sexuais. Várias atitudes são facilmente discerníveis. Ombros retraídos representam raiva reprimida, uma detenção do impulso de golpear; ombros levantados estão relacionados ao medo; ombros quadrados expressam a atitude de arcar com a responsabilidade; ombros caídos traduzem a sensação de carga, do peso de uma pesada mão. Ombros têm um papel importante na mobilidade do peito, dado que sua articulação vai desde a espinha dorsal, através dos rombóides, até o externo, na frente, através dos músculos peitorais. Distúrbios na articulação do ombro, portanto, afetarão a função respiratória. Sendo estender-se para frente a função básica dos braços, nos primatas tanto para tomar como para dar, para agarrar ou golpear a extensão e qualidade deste movimento é uma medida do ego. De acordo com os distúrbios físicos relacionados ao caráter, visualizamos indivíduos com comportamentos diferentes: o caráter esquizóide não se estende para o mundo; o oral se estende somente face a condições favoráveis; o masoquista vai e depois se retira, portanto, falha; e o rígido tende a agarrar.
     Os braços e o corpo formam uma unidade, esta unidade, entretanto, está sujeita às limitações da estrutura do caráter. No esquizóide há uma dissociação entre braços e o corpo, devido a tensões muito profundas na junção dos ombros ao corpo. Isto confere ao movimento dos braços uma qualidade mecânica e os ombros, congelados, participam de forma muito limitada nos movimentos dos braços. Devido ao fato de o que o corpo não toma parte dos movimentos de estender-se a frente, dizemos que o esquizóide não se lança ao mundo. O caráter oral se queixa de sensações de fraqueza e impotência nos braços, isso se dá devido à algumas musculaturas que ligam os braços ao corpo serem superdesenvolvidas e contraídas de modo crônico e outras serem subdesenvolvidas. Isto responde pela dificuldade que o oral tem de estender-se para dar e receber. O masoquista exibe uma condição muscular encolhida em seus braços, como no resto do corpo. Seus movimentos são descoordenados, desgraciosos e difíceis. É difícil para o masoquista esforçar-se em se lançar para frente e manter tal postura. Na estrutura rígida, o homem fálico-narcisista, os movimentos são coordenados e altamente carregados, as tensões são periféricas. A grande carga atuando contra uma forte tensão periférica confere às mãos um caráter de agarrar, um aspecto de garra.
     Pode haver uma antítese entre as metade superior e inferior do corpo. Não é incomum encontrar um homem com os ombros muito largos e quadris magros, estreitos, pernas de aparência frágil. É como se toda a energia estivesse concentrada na metade superior, deixando impotente a inferior. Na prática, na medida em que as pernas se fortalecem e aumenta a potência sexual, os ombros caem, o peito diminui de tamanho e o centro de gravidade cai apreciavelmente. A distribuição da musculatura no corpo humano é tal, que sua maior parte está concentrada nos quadris e pernas. Isto provê suporte ao homem, para sua habilidade de manutenção da posição ereta.
     O modo de sustentar a cabeça está em relação direta com a qualidade e poder do ego. Observamos pescoços longos e orgulhosos, encolhidos e enterrados nos ombros e cabeças inclinadas de lado que parecem estar fora do lugar.
    Quanto a expressão da face, nos é mais familiar o estudo, pois o efetuamos inconscientemente durante toda nossa vida. Podemos determinar a intensidade da expressão, bem como sua qualidade. Alguns olhos são vivos e brilhantes, outros brilham como estrelas, outros são aborrecidos e muito vagos. A expressão obviamente muda, procuramos, portanto, pelo olhar típico. Alguns olhos são tristes, outros rancorosos, alguns duros e frios, outros doces e envolventes.
    Frequentemente aparecem numa mesma face duas expressões conflitantes. Os olhos podem parecer fracos e abatidos, enquanto o queixo é forte e protundente. Ou pode ser que o queixo seja fraco enquanto os olhos são fortes. Se os músculos do queixo forem superdesenvolvidos, existe um bloqueio no fluxo de energia para os olhos. O queixo é uma estrutura móvel que lembra a pélvis quanto a sua movimentação. Pode ser imobilizado tanto numa posição protrundente como numa retraída, ambas representando um decréscimo na mobilidade. O queixo que não pode se mover para frente na agressão ou amenizar-se na ternura, é considerado patológico em termos de função. Muitas expressões estão relacionadas à posição do queixo. Na medida em que se move para frente, expressa determinação, um pouco mais à frente, assume expressão de luta, enquanto que a protrusão extrema indica desafio. O número e variedade de expressões que podem aparecer na fisionomia de um indivíduo é enorme.
    A leitura corporal nos auxilia na nossa próprio compreensão e na dos demais, nos ajuda a compreender as limitações de mobilidade e expressão e, principalmente, nos dá diretrizes para o trabalho com o corpo.
     Nos capítulos seguintes veremos como as pessoas inibem ou bloqueiam o fluxo de excitação no seu corpo e assim reduzem a sua vitalidade.


REFERÊNCIAS
LOWEN, Alexander. O Corpo em terapia: a abordagem bioenergética. São Paulo: Summus, 1977.

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Monografia: QUEM DANÇA É MAIS FELIZ - Parte 4

     Boa tarde! As publicações sobre a Monografia tem ocorrido às quintas-feira, porém como amanhã é feriado, essa semana está saindo um dia antes. O capítulo de hoje é muito interessante! Fala das diferentes estruturas de Caráter e do seu comportamento na dança. É muito rico para entendermos nosso padrão de comportamento e como isso se reflete na dança, muitas vezes limitando nosso desenvolvimento e aprendizado.

     O capítulo, como toda a monografia, esta escrito numa linguagem de fácil compreensão inclusive para quem não possui conhecimentos em psicologia. Recomendo a releitura dos Capítulos 4 - Energia e 7 - Caráter antes deste. E se preparem para defrontarem com características sobre seu caráter que nem sempre são tão agradáveis de tomar conhecimento, mas que a Dança de Salão, quando bem trabalhada, pode ajudar a superar e liberar mais energia para que se possa desfrutar do prazer da dança e de viver. Boa leitura!

     QUAL O SEU CARÁTER???


QUEM DANÇA É MAIS FELIZ: AUMENTANDO A VITALIDADE POR MEIO DA BIOENERGÉTICA E DA DANÇA DE SALÃO 


Monografia apresentada para obtenção do título de Especialista em Psicoterapia Corporal no Curso de Pós Graduação em Psicologia Corporal, Instituto Reichiano.


8 ESTRUTURAS DE CARÁTER

As defesas psicológicas usadas para lidar com a dor e o estresse, tais como racionalizações, negação e supressões também estão ancoradas no corpo e aparecem como padrões corporais cronicamente rígidos. Esses padrões, juntamente com as representações mentais, crenças e valores que os sustentam, constituem a estrutura de caráter, que influencia a auto-percepção física, a auto-estima, a auto-imagem e o intercâmbio com o ambiente. Esses padrões tornam-se inconscientes e passam a fazer parte da própria identidade da pessoa. (WEIGAND, 2005).
De acordo com a bioenergética, as estruturas de caráter são classificadas em cinco tipos básicos, cada qual apresenta um padrão peculiar de defesas tanto a nível psicológico quanto muscular, um comportamento estereotipado que os distingue dos demais. Lowen (1982) ressalta que é importante observar que a classificação não abrange pessoas, mas sim posições de defesa e, também, que ninguém é um tipo puro e que qualquer indivíduo dentro da nossa cultura combina, em graus variados dentro de sua personalidades, algumas ou todas as posições defensivas. Como o trabalho é focado a uma análise com a dança de salão, as estruturas de caráter serão apresentadas com mais ênfase no aspecto físico e energético à aspectos psicológicos.


8.1 CARÁTER ESQUIZÓIDE

Lowen (1982) descreveu o caráter esquizóide como a pessoa cujo senso de si mesma está diminuído, o ego é fraco e o contato com seu corpo e sentimentos está reduzido em grande parte. O pensamento tende a dissociar-se dos sentimentos. Refugiam-se dentro de si mesmas, rompendo ou perdendo o contato com a realidade. 

a) Condição energética: 
O sistema de energia é baixo. A energia concentra-se na área central do corpo, distante da periferia, longe dos órgãos que fazem contato com o mundo (rosto, mãos, genitais e pés). A carga interna tende a endurecer na área central e não flui direto para a periferia, para os órgãos de contato, sendo bloqueada por tensões crônicas situadas na base da cabeça, nos ombros, na pelve e nas articulações dos quadris, fazendo com que a função destes órgãos esteja dissociadas dos sentimentos existentes no centro da pessoa.

b) Aspectos físicos:
O corpo, na maioria dos casos é estreito e contraído. A face tem uma aparência de máscara, os braços pendem, os pés são contraídos e frios e é comum serem revirados, o peso do corpo está jogado na borda dos mesmos, as mãos são frias. Há uma cisão entre as metades superior e inferior do corpo devido a uma tensão crônica na região da cintura.

c) Características:
Dal-Ri (2010) os descreveu como mentais, não corporais, e com conduta não emocional. Possuem dificuldade de contato e tendência a evitar relacionamentos íntimos e afetuosos. São inteligentes, criativos e muito sensíveis.

d) Na dança:
Possuem pouca consciência corporal e uma dissociação entre movimento e sensação ou sentimento, ocasionando movimentos mecânicos e sem expressividade. Lowen descreve o conceito de coordenação motora como um movimento integrado com uma sensação adequada. Como é possível o movimento dissociado “o caráter esquizóide pode ser um excelente bailarino” (LOWEN, 1977, p. 324).
Como a dança de salão é praticada junto com um par, e esta estrutura de caráter possui dificuldade de contato, estes o fazem com um ar de desconfiança, com pouca proximidade e com um contato mecânico, desprovido de emoção.

e) Benefícios da dança de salão:
A dança de salão pode proporcionar às pessoas com essa estrutura de caráter uma maior identificação com o corpo, proporcionar prazer através das sensações corporais, aumentar a expressividade através do movimento e ampliar o contato com a realidade e com outras pessoas. 


8.2 CARÁTER ORAL

No caráter oral a personalidade contém muitos traços típicos da primeira infância, ocasionados pela falta de satisfação das necessidades da criança nesta fase. Lowen (1982) cita traços como fraqueza, tendência a depender dos outros, agressividade precária e sensação interna de precisar ser carregado, apoiado e cuidado. A experiência básica é a carência afetiva.

a) Condição energética:
Possui baixa carga energética, que flui até as periferias, mas de modo minguado. Todos os pontos de contato com o mundo recebem carga, porém menor do que necessária. A falta de energia se nota mais na parte inferior do corpo, e essa fraqueza impede o desenvolvimento da independência e agressividade essenciais ao funcionamento do adulto maduro. A respiração é superficial. (LOWEN, 1977).

b) Aspectos físicos:
O corpo tende a ser esguio e fino. A musculatura é subdesenvolvida (traços infantis podem aparecer). O peito geralmente é murcho. O abdômen não tem vitalidade e quando tocado parece macio e vazio. Tende a compensar a fraqueza das pernas juntando os joelhos, conferindo uma sensação de rigidez obtida à custa da flexibilidade. Os pés são fracos e frequentemente chatos. O peso do corpo está sobre os calcanhares. Tende a ter as costas curvadas, ombros caídos, o que é compensado pela cabeça mais a frente. As nádegas e pélvis são mantidas mais à frente.

c) Características:
Lowen (1977) cita características como: passivo, necessitado, em casos extremos podem se mostrar sugando força e energia de outra pessoa. Não têm habilidade para se tornarem independentes. Relutam em aceitar a necessidade de trabalhar ou empenhar-se. Pode apresentar hiper-irritabilidade. São impacientes e inquietos. Possuem uma urgência obstinada para falar e um apetite morbidamente intenso por comida. Racionais, lógicos, com clareza intelectual excepcional e capacidade verbal muito alta.

d) Na dança:
A baixa carga energética faz com que tenham pouca resistência e que cansem rapidamente. Os movimentos não têm apoio de um fluxo adequado de energia. Lowen (1977, p. 163) descreveu a mobilidade da perna no oral como: “As pernas cansam-se rapidamente em posições de tensões. O controle de seus movimentos é pobre e a coordenação é inadequada”. As pernas e pés fracos prejudicam sua sustentação e equilíbrio além de diminuir o seu contato com o chão (grounding), gerando ansiedade insegurança e falta de ritmo nos movimentos.

e) Benefícios da dança de salão:
A prática constante da dança de salão vai aumentar gradativamente a resistência e por consequência a energia no corpo. O desenvolvimento de uma atividade física tende a ampliar a capacidade respiratória. A dança melhora sua coordenação motora e aumenta o fluxo de energia para os membros inferiores, ampliando seu contato com o chão e com a realidade. O conhecimento e prática de técnicas de dança aumentam a sua segurança e diminui a dependência, a partir do momento que este passa a acreditar e confiar mais em si mesmo. Além de propiciar um ambiente social favorável ao contato e a relacionamentos como de amizade.


8.3 CARÁTER PSICOPÁTICO

A essência deste caráter é a negação do sentimento. O ego, ou mente, volta-se contra o corpo e seus sentimentos. A negação dos sentimentos é basicamente uma negação das necessidades. Há um grande acúmulo de energia na própria imagem. Possui uma motivação de poder e a necessidade de dominar e controlar. Lowen (1982) adere essa necessidade de controle ao medo de ser controlado, de ser usado, e a motivação de estar por cima ao medo da ocorrência de um fracasso, o que o colocaria numa posição de vítima.
A defesa básica do psicopático é controlar tudo, incluindo a manipulação do próprio self. O domínio sobre os outros pode se dar de dois modos: oprimindo e atormentando, usado pelo tipo tirânico; ou debilitando a pessoas por meio de aproximações sedutoras, praticado pelo tipo sedutor.

a) Condição energética:
No tipo tirânico há um deslocamento nítido de energia em direção da extremidade cefálica do corpo, com grande redução de carga na parte inferior do organismo. No tipo sedutor a carga na pelve é excessiva e desconectada.
Segundo Lowen (1982), “a cabeça comporta uma carga de energia acima do normal, o que significa a existência de uma hiperexitação da capacidade mental”. Há um distúrbio do fluxo entre as duas metades do corpo. Apresentam espasticidade acentuada no diafragma e tensões nítidas no segmento ocular e ao longo da base do crânio.

b) Aspectos físicos:
O corpo do tipo tirânico mostra um desenvolvimento desproporcional da metade superior, dando a impressão de estar cheio de ar; isto corresponde à imagem de ego da pessoa, toda cheia de si. A estrutura é rígida e pesada no topo. A parte inferior é mais estreita e pode apresentar a fraqueza típica da estrutura de caráter oral. O tipo sedutor possui um corpo mais regular e em geral as costas são hiperflexíveis.

c) Características:
Controlador e manipulador. Descrente e cético, aceita apenas a sua realidade. Tem grande dificuldade em ceder. Competitivo, deve sempre ganhar. Inteligente, eloquente e com boa capacidade de argumentação.

d) Na dança
Os movimentos são mecânicos e dissociados de sentimentos. São controladores e algumas vezes adotam um comportamento agressivo. São criativos e com uma boa capacidade de memorização.

e) Benefícios da dança de salão:
Como este tipo de caráter tem dificuldade de ser convencido, a experimentação através do corpo se faz mais eficaz. Assim como no caráter oral, a prática da dança proporciona um maior contato com o chão e com a realidade, fazendo a energia descer para os membros inferiores. Trabalhos com contato e musicalidade podem despertar uma maior integração com seus sentimentos e sensações.


8.4 CARÁTER MASOQUISTA

Esta estrutura de caráter descreve aquele que sofre e lamenta-se, que se queixa e permanece submisso. Enquanto o indivíduo apresenta uma conduta externalizada submissa, internamente, acolhe sentimentos intensos de despeito, negatividade, hostilidade e superioridade, que na sua inabilidade de expressão acabam sendo retidos e quando muito carregados tendem a explodir num violento comportamento social. O medo de explodir é contraposto por um padrão muscular de contenção. “A ambivalência e a incerteza identificam todos os aspectos do comportamento masoquista.” (LOWEN, 1977, p. 206)

a) Condição energética:
É dotado de um alto nível de energia, no entanto, está fortemente presa do organismo, mas não sedimentada. Devido à severa contenção interna, os órgãos periféricos estão pouco carregados, o que impede tanto a descarga quanto a liberação energética, limitando as ações expressivas.
Os impulsos que se movem para cima e para baixo são estrangulados no pescoço e na cintura, o que é responsável por uma forte tendência de sentir ansiedade.

b) Aspectos físicos:
O corpo típico do masoquista é curto, grosso e musculoso. O pescoço é curto e grosso, semelhante à cintura, que também é mais curta e grossa. A pelve está projetada para frente e para cima. A pele tende a um tom acastanhado devido à estagnação da energia.
Lowen (1982) cita mulheres com uma combinação de rigidez na metade superior do corpo com masoquismo na metade inferior, demonstrado por nádegas e coxas pesadas, por um soalho pélvico encolhido para cima e pela tonalidade escura da pele, decorrente da estagnação da energia.

c) Características:
Ansiedade de encarar o prazer. Dificuldade de expressão. Desejo de aprovação, muitas vezes buscado na forma de trabalho e esforço. Desconfiança e dúvida. Autodepreciação verbal e/ou na aparência (descuidada ou mal vestida, com roupas feias). Teme o sucesso, pois este o põe em evidência e provoca fortes ansiedades ao lado do exibicionismo. Tende a apresentar queixumes e lamentos.

d) Na dança:
As severas tensões dificultam uma postura ereta e limitam os movimentos naturais. Os movimentos geralmente são bruscos, pesados e quase sempre sem expressão. A ansiedade prejudica a manutenção do ritmo e interfere na condução do cavalheiro, fazendo com que comecem um movimento antes de terminar o anterior e na resposta da dama tentando prever ou adivinhar o próximo passo. São esforçados e dedicados.

e) Benefícios da dança de salão:
A dança se apresenta como uma ótima oportunidade de expressividade, de descarga como forma de aliviar tensões e de aumento da capacidade de sentir prazer. Trabalha a ansiedade. Os movimentos de extensão e alongamento possibilitam aliviar as tensões crônicas e a musculatura superdesenvolvida. Os movimentos de pernas e quadris possibilitam aliviar as tensões nestas regiões. A movimentação corporal na dança faz com que a energia que esta estagnada circule por todo o corpo, permitindo uma movimentação mais livre. A prática constante da dança de salão faz com que o indivíduo masoquista adquira mais confiança e assertividade e melhore seu relacionamento com os pares e colegas.


8.5 CARÁTER RÍGIDO

Lowen (1982) relacionou o conceito de rigidez às tendências destas pessoas a se manterem eretas, de orgulho. A cabeça portada bem erguida e a coluna reta. Traços que seriam positivos não fosse o fato de ser o orgulho um sentimento defensivo, e a rigidez algo não flexível. O indivíduo de caráter rígido tem medo de ceder, pois iguala o ato de submeter-se com perder-se completamente.

a) Condição energética:
A carga energética é razoavelmente poderosa em todos os pontos periféricos de contato com o meio ambiente. A contenção é periférica, permitindo os sentimentos fluírem, mas a manifestação é limitada. Os músculos longos do corpo são as principais áreas de tensões. Há vários graus de rigidez, quando a contenção é moderada, a personalidade é ativa e vibrante.

b) Aspectos físicos:
O corpo é proporcional e mostra harmonia entre as partes. A pessoa se sente integrada e conectada. Lowen (1982, p. 147) destacou como “uma característica importante é a vivacidade do corpo: olhos brilhantes, boa cor de pele, leveza dos gestos e movimentos.” Se a rigidez for grave a coordenação e a graça dos movimentos serão diminuídas, os olhos perderão um pouco de seu brilho e a pele adotará uma tonalidade pálida ou acinzentada.

c) Características:
São geralmente mundanos, ambiciosos, competitivos e agressivos. São determinados e podem se tornar teimosos. Insensíveis, têm dificuldade de expressar sentimentos. Geralmente são bem sucedidos social e economicamente.

d) Na dança:
O indivíduo de caráter rígido é o que possui maior identificação com o corpo, resultando em maior coordenação física e aprendizado rápido. A vivacidade observada por Lowen reflete em movimentos belos e harmoniosos. Quando a rigidez é muito acentuada, o movimentos ficam duros e limitados pela inflexibilidade. Quando a expressão dos movimentos é dissociada de sentimentos, estes parecem sem vida.

e) Benefícios da dança de salão:
A prática da dança de salão tende a flexibilizar a rigidez física e proporcionar contato com os sentimentos. Auxilia no equilíbrio energético proporcionando oportunidade para a descarga do excedente.

REFERÊNCIAS
DAL-RI, Adriana. Análise Bioenergética. Apostila (Curso de Formação em Psicologia Corporal) – Instituto Reichiano, Curitiba, 2010.
LOWEN, Alexander. O Corpo em terapia: a abordagem bioenergética. São Paulo: Summus, 1977.
LOWEN, Alexander. Bioenergética. São Paulo: Summus, 1982.
WEIGAND, Odilia. Grounding na Análise Bioenergética: Uma proposta de atualização. Tese (Mestrado em Psicologia Clínica) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2005.

quinta-feira, 28 de maio de 2015

Monografia: QUEM DANÇA É MAIS FELIZ - Parte 3

     Olá, vamos para mais uma parte da Monografia. O que acho mais interessante no estudo da psicologia é entender como funcionamos, é encontrar uma explicação ou apenas uma explanação para um contexto que é óbvio e que muitas vezes não tínhamos nos atentado. Nos deparamos com um texto, uma palestra ou uma aula que nos auxiliam a entender nossos comportamentos, e também das pessoas com quem nos relacionamos, e com esse entendimento, podemos nos aceitar mais, compreender e respeitar mais nossos próximos e quando necessário, ter base para uma mudança de atitude. Os capítulos de hoje são bem assim, simples e óbvios em seu conteúdo, e que muito nos auxiliam a entender o comportamento humano. O primeiro nos dá base para compreender porque a dança encanta seus praticantes, pura e simplesmente porque proporciona prazer! O segundo nos mostra que precisamos adequar a busca de prazer à realidade. E o último explana sobre como formamos nosso caráter.

     Quem quiser colaborar, participar ou apenas comentar pode usar o espaço dos comentários abaixo. Boa leitura!


QUEM DANÇA É MAIS FELIZ: AUMENTANDO A VITALIDADE POR MEIO DA BIOENERGÉTICA E DA DANÇA DE SALÃO 


Monografia apresentada para obtenção do título de Especialista em Psicoterapia Corporal no Curso de Pós Graduação em Psicologia Corporal, Instituto Reichiano.



Orientadora: Lana Mayer


5 PRINCÍPIO DO PRAZER

     O objetivo primário da vida é o prazer. “Esta é uma orientação biológica porque, a nível corporal, o prazer proporciona o bem-estar do organismo, e a própria vida” (LOWEN, 1982, p. 118). A dor, ao contrário, é sentida como uma ameaça ao organismo. Fugimos de situações dolorosas e buscamos as que proporcionem o prazer, quando a situação contém uma promessa de prazer, associada a uma ameaça de dor, sentimos ansiedade.
     O prazer é o resultado da satisfação de uma necessidade, por exemplo, comer quando se tem fome ou dormir quando se tem sono. Contudo, o conceito de prazer limitando-o à descarga de tensão ou satisfação das necessidades, para Lowen (1984), é muito estreito para envolver todo o comportamento humano, ele levanta outras situações que levam ao prazer: situações de desafio, como esportes competitivos, onde a tensão aumenta a quantidade de excitação; a excitação em si, quando associada com a liberação, é uma sensação de prazer, como no sexo; novidade é um elemento essencial ao prazer, a repetição de experiências idênticas é entediante; o crescimento, que faz parte do processo contínuo da vida, regozijamo-nos com a expansão e o desenvolvimento de nosso ser, com o aumento de nossa força, com o desenvolvimento da coordenação motora e de habilidades, com o crescimento das relações sociais e com o enriquecimento de nossa vida. “A pessoa saudável tem apetite para viver, aprender e assimilar novas experiências”. (LOWEN, 1984, p.56).
     É fácil compreender porque a dança atrai tanta gente, pois é uma atividade que proporciona muito prazer. O desafio de conseguir executar aquele passo, de dançar com aquele par ou aquela música rápida, de dançar como tal pessoa ou melhor que outro; a excitação de uma dança, de um baile, de uma aula com um professor idolatrado; um passo novo, uma técnica nova, um estilo novo; novos conhecimentos, melhor coordenação motora, maior flexibilidade, estimulo à criatividade e a auto-expressão, ampliação do círculo social; entre tantos outros motivos que proporcionam prazer e elevam a vitalidade de seus praticantes.
     Porém nem tudo na vida são prazeres. Para nos protegermos de possíveis desprazeres, construímos defesas levantando barreiras psicológicas e musculares, gerando uma atitude neurótica. Essas defesas atuam na forma de um padrão de comportamento chamado de caráter (o capítulo 7 aborda este tema). 
     O dilema entre o prazer e a dor inicia-se já na infância, entre pais e filhos. Para as crianças, os pais são fontes de prazer, pois proporcionam amor, comida, contato e estimulação sensorial. Quando os pais passam a privar o contato, ou frustrar as crianças e no decorrer do crescimento a punir e ameaçar, estes passam a estar vinculados, na mente das crianças, à possibilidade de dor. Para procurar abafar a ansiedade o indivíduo passa a ativar defesas e, quanto mais cedo na vida tiver surgido a ansiedade, mais profundamente estruturadas estarão suas defesas. O problema é que as defesas mantêm o indivíduo dentro do seu próprio conflito e diminuem a intensidade da vida e a vitalidade do corpo. (LOWEN, 1977). Por exemplo, uma criança que buscou o afeto dos pais no início de sua vida, mas que foi privada do carinho pode gerar uma defesa de independência e assim quando adulta não se permitir receber afeto de outras pessoas, mesmo que estas estejam disponíveis e ela anseie pelo contato.
    Lowen (1982) diz que a defesa não bloqueia totalmente todos os impulsos para o prazer, permitindo que certa quantidade passe pela barreira até certo ponto e em determinadas circunstâncias. Se o bloqueio fosse total levaria o organismo à morte, sendo a morte a defesa total contra a ansiedade. Porém toda defesa é uma limitação da vida e também uma morte parcial.
    Se entendermos o sentimento de prazer como um movimento expansivo do corpo, na forma de abertura, de busca, de estabelecimento de contato, o movimento inverso, de retraimento, contenção ou retenção podem ser relacionadas a um sentimento de desprazer, podendo inclusive provocar ansiedade ou dor. A dor é o resultado de uma pressão gerada por um impulso que não pôde ser descarregado, que encontrou um bloqueio. Para evitar a dor ou a ansiedade o organismo gera uma defesa suprimindo o impulso, assim a pessoa não sentirá o desprazer, mas também não experimentará o prazer. A supressão do impulso para o prazer, além de reduzir a energia do indivíduo pode gerar distúrbios emocionais e físicos como citou Lowen:

A pessoa limitada pela presença de tensões musculares crônicas, que bloqueiam os canais de comunicação do coração e que limitam o fluxo de energia até a periferia do corpo, sofre de vários modos; sofre com a frustração e com a insatisfação de sua vida, sente ansiedade, sente-se deprimida, sente retraída e alienada, podendo até desenvolver alguns distúrbios somáticos. Dado que estas são as queixas que mais comumente se apresentam ao psiquiatra, deverse-ia admitir que, para eliminá-las, seria preciso recuperar a capacidade total de prazer daquele organismo. (LOWEN, 1982, p. 121).


6 PRINCÍPIO DA REALIDADE

     A busca natural do prazer de um organismo é normalmente suspensa em apenas dois casos: no interesse da sobrevivência e em nome de um prazer maior. Em circunstâncias que ameaçam a vida do indivíduo, o prazer e a criatividade passam a ser irrelevantes, o mais importante é sobreviver, a pessoa suportará a dor e passará sem o prazer para continuar viva. No segundo caso, o indivíduo poderá adiar a gratificação imediata de uma necessidade ou de um desejo se for para levá-lo a um prazer maior no futuro. De igual forma tolerará certa dose de dor objetivando alcançar algo que prometa um prazer significante. (LOWEN, 1984). A este segundo caso se dá o nome de princípio da realidade.
     O princípio da realidade, em oposição ao do prazer, exige a aceitação de um estado de tensão e o adiamento do prazer de acordo com demandas de situações externas. Por outro lado, promete que tal ação levará a um prazer maior ou ao evitamento de uma dor maior, no futuro. (LOWEN, 1977).
Na criança, a descarga é imediata, pois ela não tem função motora desenvolvida para suporta e administrar a tensão. Na medida em que o organismo se desenvolve, adquire consciência e habilidades motoras e com isso a capacidade de contenção e expressão consciente do impulso, escolhendo quando e como poderá expressar ou descarregar a tensão ou excitação, de acordo com a realidade externa. (DAL-RI, 2010). 
     O adiamento do prazer imediato não pode ser considerado um ato destrutivo, muitas vezes para se atingir um objetivo que possa ser desfrutado é necessário muito esforço e sacrifício, como um dançarino que se prepara para um grande espetáculo que precisa disponibilizar muito tempo se dedicando à aulas, exercícios, treinos e ensaios, e quando chega no dia da apresentação e tudo ocorre perfeitamente, a sensação de prazer é imensa. Há uma descarga proporcional a todas as tensões e energias acumuladas durante todo o processo de preparação, é um êxtase. “O prazer continuará a ser o principal objeto do indivíduo”. (LOWEN, 1984, p. 71).
     Lowen (1977, p.55) definiu saúde como “a habilidade de um organismo em manter seu ritmo de pulsação dentro dos limites do princípio da realidade”. 


7 CARÁTER

     A pessoa adulta atua simultaneamente em dois níveis: no mental ou psíquico, e no físico ou somático. Para se manter uma personalidade saudável os níveis de funcionamento mental e físico no indivíduo devem atuar em cooperação. Se existem conflitos na personalidade (sentimento e comportamento), estes criam bloqueios à livre manifestação de impulsos e sentimentos. Estes bloqueios limitam a capacidade da pessoa a buscar no mundo à sua volta a satisfação de suas necessidades, nesta medida, os bloqueios representam uma redução da capacidade de sentir prazer.
     No início, as inibições são conscientes e servem para livrar a pessoa de mais conflitos e dores. Porém, a contração consciente e voluntária demanda um investimento de energia que não pode ser mantida por tempo indeterminado. Então se faz necessário inibir o sentimento indefinidamente, dado que expressá-lo é algo inaceitável, o ego abandona o controle sobre o ato e retira a energia do impulso. A inibição do impulso passa a ser inconsciente e os músculos devem permanecer contraídos pela falta de energia necessária à sua expansão e descontração.
     De acordo com Lowen (1982), a rendição deste impulso tem duas conseqüências: a parte da musculatura a qual se retirou a energia entra em contração crônica ou em espasticidades e impossibilita a expressão dos sentimento inibidos. A pessoa passa assim a não sentir mais o desejo inibido, não que este desapareceu, ele apenas passa a ficar adormecido e distante da consciência. Porém sob condições de extrema tensão ou provocação, o impulso pode tornar-se novamente carregado e romper o bloqueio. A outra consequência é a diminuição do metabolismo de energia do organismo. As tensões musculares crônicas impedem uma boa respiração interferindo no processo metabólico e diminuindo o nível energético do indivíduo.
     O baixo nível energético faz com que o indivíduo faça ajustes em seu modo de vida, passando a evitar situações que evoquem seus sentimentos suprimidos. A defesa (couraça) gerada pelo indivíduo para se proteger do impulso ou sentimento, atua a nível psíquico e corporal. O conjunto de defesas desenvolvido pela pessoa é chamado de caráter e este passa a determinar o seu modo de ser e comportar-se, gerando certa padronização de ações com base num modo de se defender que deu certo.
     Porém esse modo de viver, restringindo a pulsação como forma de proteção, leva o indivíduo a viver por trás de um muro alto, permitindo-lhe viver e agir de modo limitado e sobre uma área bastante restrita, limitando a busca do prazer fora de si.


REFERÊNCIAS
DAL-RI, Adriana. Análise Bioenergética. Apostila (Curso de Formação em Psicologia Corporal) – Instituto Reichiano, Curitiba, 2010.
LOWEN, Alexander. O Corpo em terapia: a abordagem bioenergética. São Paulo: Summus, 1977.
LOWEN, Alexander. Bioenergética. São Paulo: Summus, 1982.
LOWEN, Alexander. Prazer: uma abordagem criativa da vida. São Paulo: Summus, 1984.

quinta-feira, 21 de maio de 2015

Monografia: QUEM DANÇA É MAIS FELIZ - Parte 2

     Olá pessoal! Vamos para a segunda parte da publicação da Monografia! Nesta temos um entendimento de como surgiu e como trabalha a Psicologia Corporal e também a Bioenergética, que é uma de suas linhas terapêuticas e que foi utilizada como base para o desenvolvimento deste estudo. Por último, nesta segunda parte, um entendimento sobre Energia, um conceito muito comentado mas talvez pouco compreendido em seu funcionamento.
  
     Estes capítulos são muito interessantes para compreendermos nossos comportamentos e atitudes e porque muitas vezes é difícil de mudá-los. Boa leitura! E não exitem em comentar, questionar e compartilhar! ;)


QUEM DANÇA É MAIS FELIZ: AUMENTANDO A VITALIDADE POR MEIO DA BIOENERGÉTICA E DA DANÇA DE SALÃO 


Monografia apresentada para obtenção do título de Especialista em Psicoterapia Corporal no Curso de Pós Graduação em Psicologia Corporal, Instituto Reichiano.



Orientadora: Lana Mayer


2 A ORIGEM DA PSICOLOGIA CORPORAL


    Wilhelm Reich viveu de 1897 a 1957 e foi discípulo de Freud. Na década de 1930, começou a trabalhar diretamente com o corpo dos pacientes, com uma técnica que visava especificamente aprofundar e liberar a respiração, a fim de melhorar e intensificar a experiência emocional. Associou à psicanálise a observação do corpo, das expressões dos olhos e da face, da qualidade da voz e dos padrões de tensão muscular; descreveu o que nós chamamos hoje de linguagem corporal (WEIGAND, 2005).
    Reich lançou as bases para uma psicologia somática, e desde então muitas terapias corporais foram se desenvolvendo, como a Análise Bioenergética criada por Alexander Lowen e John Pierrakos, a Psicologia Biodinâmica desenvolvida por Gerda Boyesen, a Psicologia Formativa de Stanley Keleman, a Biossíntese de Boadella, entre outras.



3 PSICOLOGIA CORPORAL E BIOENERGÉTICA

    Sendo o indivíduo um organismo, o que afeta a mente afeta o corpo e o que afeta o corpo afeta a mente. O que se pensa influência o que se sente, e vice-versa.
    Toda ameaça ou situação de pressão produz um estado de tensão no corpo. Essas ameaças podem ser externas, como vindas da relação com outras pessoas, de sistemas sociais ou situações vividas, ou internas, como sentimentos, emoções ou excitações maiores que o organismo pode lidar. Quando a pressão é aliviada a tensão normalmente desaparece. Porém quando a ameaça foi muito traumática ou persistente, as reações posturais que adotamos no momento como contrair a musculatura, prender a respiração, se encolher, se esconder ou colapsar tornam-se parte contínua da estrutura do indivíduo.
Essa tensão que passa a ser crônica após ter sido removida a pressão assume a forma de uma atitude física inconsciente, perturbando a saúde emocional e reduzindo a vitalidade do indivíduo através da diminuição da energia, da restrição da ação espontânea e natural, da movimentação muscular e da limitação da auto-expressão. (LOWEN, 1985).
    A Bioenergética, que foi utilizada como base para o desenvolvimento dos estudos para este trabalho, foi definida por Lowen & Lowen (1985, p. 11) como “uma maneira de entender a personalidade em termos do corpo e de seus processos energéticos.” Esses processos referem-se à produção de energia através da respiração e do metabolismo, e à descarga de energia no movimento, ambas as funções básicas da vida. Bioenergética também é uma “forma de terapia que combina o trabalho com o corpo e com a mente para ajudar as pessoas a resolverem seus problemas emocionais e melhor perceberem o seu potencial para o prazer e para a alegria de viver”. (LOWEN & LOWEN, 1985, p. 11).
    Os princípios e a prática da terapia bioenergética se baseiam na identidade funcional entre corpo e mente, o que significa que qualquer mudança na maneira de pensar, sentir ou comportar-se de uma pessoa, está condicionada a uma mudança no seu corpo. De acordo com Lowen (1984, p.30) as duas funções mais importante a esse respeito são a respiração e os movimentos. “Essas duas funções encontram-se perturbadas em toda pessoa por conflitos emocionais através de tensões musculares que são o lado físico dos conflitos psicológicos. Através dessas tensões musculares os conflitos são estruturados pelo corpo”. Para afrouxar essas tensões deve-se vê-las como limitações da auto-expressão, pois quando uma tensão passa a tornar-se crônica, é retirada do consciente e perdemos a percepção da tensão e da dor.
    “Estar cheio de vida é respirar profundamente, mover-se livremente e sentir com intensidade. Essas verdades não podem ser ignoradas se valorizamos a vida e o prazer”. (LOWEN, 1984, p. 31).



4 ENERGIA

    Faz se fundamental entendermos a energia e como ela atua no corpo para compreendermos o funcionamento humano. A energia está envolvida em todos os processos vitais, nos movimentos, sentimentos e pensamentos, os mesmos chegariam ao fim se a fonte energética do organismo se esgotasse.
   A produção de energia se dá através da combustão dos alimentos. Esse processo de transformar o alimento em energia envolve o uso do oxigênio. O nível de combustão está ligado à quantidade de oxigênio disponível. Mais oxigênio cria um fogo mais quente e produz mais energia. O equilíbrio entre carga e descarga de energia, faz-se importante para a existência do organismo. É necessário que se mantenha o nível de energia coerente às suas necessidades e oportunidades. A produção de energia “é diretamente determinada pela quantidade e tipo de comida que ingerimos, pela quantidade de ar que respiramos e pela energia que o corpo precisa”. (LOWEN, 1982, p. 208).
    O sangue é “o fluido energeticamente carregado do corpo. Sua chegada a qualquer parte do corpo significa vida, calor e excitação para aquela parte”. Na medida em que o sangue flui através do corpo, transporta metabólitos e oxigênio para os tecidos, fornecendo a eles energia e removendo os produtos residuais da combustão. (LOWEN, 1982, p. 45).
    Todas as atividades, desde a batida do coração ao falar, trabalhar ou dançar requerem e utilizam energia. Contudo, nenhum organismo vivo é uma máquina, funcionando mecanicamente, suas atividades são expressões do seu ser. Para Lowen (1982), quando o ser se expressa de forma livre e apropriada à realidade da situação experimentará uma sensação de prazer e satisfação produzida pela descarga da energia. Esse prazer e satisfação, por sua vez, estimulam o organismo a aumentar a atividade metabólica.
    No estado de prazer e satisfação, que é atingido através da auto-expressão, as atividades rítmicas e involuntárias da vida passam a funcionar em ótimo nível. Mas se a capacidade do indivíduo em expressar suas idéias e sentimentos for limitada por inibições ou tensões musculares crônicas, sua capacidade de sentir prazer também será reduzida e inconscientemente irá diminuir sua produção de energia para manter um equilíbrio energético no seu corpo. 
   Para Lowen (1982, p.115), a saúde é um estado de equilíbrio relativo entre a produção de energia e a descarga equivalente, dotado de certa dose extra de energia gasta em crescimento e para as funções reprodutoras. Quando a ingestão de alimentos é insuficiente, provoca a redução das reservas energéticas e o retardamento dos processo vitais. Por outro lado, quando o nível de descarga é inadequado, o resultado que se obtém logo é a ansiedade. Se a intensidade da carga aumenta, a um ponto no qual ameaça a integridade dos elementos estruturais do organismo, a dor será experienciada.
    Os conflitos internos fazem com que o indivíduo não funcione em seu potencial energético total. Cada vez que estes conflitos são resolvidos aumenta o nível de energia, a pessoa carrega e descarrega mais energia em atividades que levam ao prazer. Quanto mais energia livre para ser utilizada em movimentos e expressões, melhor condição a pessoa tem para enfrentar as situações. “A quantidade de energia que uma pessoa tem e como a usa determinam o modo como ela responde às situações da vida” (LOWEN 1985, p.11). 


REFERÊNCIAS
LOWEN, Alexander. Bioenergética. São Paulo: Summus, 1982.
LOWEN, Alexander. Prazer: uma abordagem criativa da vida. São Paulo: Summus, 1984.
LOWEN, Alexander; LOWEN, Leslie. Exercícios de bioenergética: o caminho para uma saúde vibrante. São Paulo: Ágora, 1985.
WEIGAND, Odilia. Grounding na Análise Bioenergética: Uma proposta de atualização. Tese (Mestrado em Psicologia Clínica) – Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, São Paulo, 2005.

quinta-feira, 14 de maio de 2015

Monografia: QUEM DANÇA É MAIS FELIZ - Parte 1

     Em 2009, por sugestão de uma aluna, comecei este Blog com o intuito de falar de Dança de Salão e divulgar meu trabalho como professor, nos últimos dois anos ele ficou praticamente inativo, agora retomo a atividade e começo publicando minha monografia de conclusão da Especialização em Psicoterapia Corporal, onde usei por base a Bioenergética, uma das linhas da Psicologia Corporal, para auxiliar na compreensão das limitações e dificuldades dos alunos e praticantes de Dança de Salão. O conteúdo é muito interessante para estudantes, professores e praticantes da modalidade, espero que seja útil para o desenvolvimento dançante e também pessoal dos leitores! 

     O conteúdo da monografia será publicado aqui no Blog em partes e semanalmente, para que seja mais fácil de acompanhar, para que haja um tempo para assimilar e também para que possa ser comentado e discutido. 

     Boa leitura!!! Aproveitem o espaço de comentários para expor suas experiências, dúvidas e ideias! Abraço!

     Hoje começamos com o Resumo e a Introdução  ;)



QUEM DANÇA É MAIS FELIZ: AUMENTANDO A VITALIDADE POR MEIO DA BIOENERGÉTICA E DA DANÇA DE SALÃO 


Monografia apresentada para obtenção do título de Especialista em Psicoterapia Corporal no Curso de Pós Graduação em Psicologia Corporal, Instituto Reichiano.

Orientadora: Lana Mayer


RESUMO


O presente trabalho tem como objetivo o estudo da Psicologia Corporal para melhor compreender alunos e praticantes de Dança de Salão em suas limitações e dificuldades. Foi utilizado como base de estudo a Bioenergética, uma das linhas da Psicologia Corporal. Defesas psicológicas e somáticas, criadas para proteger da dor e do estresse, que com o tempo se tornam inconscientes, criam padrões corporais e comportamentais, limitando a capacidade da pessoa à busca da satisfação de suas necessidades e reduzindo sua capacidade de sentir prazer. A quantidade de energia que o indivíduo possui determina como ele vive e enfrenta situações diárias, as defesas psicológicas e somáticas interferem no fluxo e na produção da energia, diminuindo a vitalidade e levando o organismo a funcionar aquém do seu potencial. Aspectos como respiração, mobilidade e auto-expressividade, essenciais para a prática da dança de salão, estão comprometidos pela baixa quantidade de energia disponível e pelo bloqueio do seu fluxo ao longo do corpo. A prática da dança auxilia a atingir melhores resultados nestes aspectos e com isso produzir mais energia, aumentar a vitalidade e aumentar a capacidade de sentir prazer.


1 INTRODUÇÃO

A Dança de Salão na sala de aula me levou a muitos questionamentos sobre o indivíduo e o método de trabalho. Questionamentos estes que foram surgindo pela comparação entre os alunos e principalmente sobre dificuldades tanto minhas enquanto dançarino, quanto dos próprios alunos, em evoluir e melhorar a qualidade da dança ou simplesmente em conseguir sentir prazer com a atividade. Dificuldades que iam desde coordenação e ritmo, passando por posturas e dificuldades de contato, avançando até emoções como ansiedade, insegurança, tensões ou ausência de sentimentos durante a dança.
Aliado a isto, existia uma curiosidade científica que havia surgido antes de lecionar dança de salão, enquanto era apenas praticante. Durante a dança com uma dama, conseguia perceber características da sua personalidade como independência, ansiedade, insegurança, dificuldade de contato, controle, etc. Essas leituras me levaram a querer estudar e a entender porque o comportamento que as pessoas apresentam na sociedade, no trabalho, enfim, em suas relações, se repetem na dança.
As dificuldades encontradas no desenvolvimento do trabalho, somadas a esta curiosidade pessoal e, aliadas à escassez de referências teóricas e bibliográficas sobre a dança, me instigaram a buscar respostas no estudo da Psicologia. Como se tratava de comportamento na dança, não poderia separar corpo e mente, então optei pela Psicologia Corporal.
Durante o período da especialização procurei fazer a ligação das teorias com a prática da dança, fiz observações e experimentações, passei a buscar entender o aluno em sua individualidade, com suas dificuldades e suas defesas e não apenas como um executor de movimentos. Comecei a perceber e a compreender os fatores que limitam a nossa vitalidade e como isso reflete na dança. A partir daí, passei a trabalhar com a premissa de que a dança pode proporcionar mais vitalidade e consequentemente maior prazer ao praticante.
Para desenvolver este estudo de conclusão escolhi seguir a Análise Bioenergética de Alexander Lowen, uma das linhas da Psicologia Corporal. Escolha feita pela identificação com sua teoria e técnicas, que possibilitam trabalhar com o corpo na posição vertical, da mesma forma como trabalhamos a dança de salão.
Procurei adotar uma linguagem simples e de fácil compreensão para que o conteúdo possa ser entendido não apenas por praticantes e estudantes de psicologia, mas principalmente por pessoas ligadas a dança e que queiram aprofundar compreensões e conhecimentos a respeito do tema.

segunda-feira, 3 de setembro de 2012

O Tônus Muscular na Dança de Salão




Tônus Muscular - Conceituações

O Tônus muscular é o estado de tensão elástica (contração ligeira) que apresenta o músculo em repouso. O tônus muscular pode apresentar-se alterado numa avaliação diagnóstica. Quando o tônus muscular estiver aumentado (musculatura rígida), denomina-se hipertonia e quando o tônus apresentar-se diminuído (musculatura flácida), denomina-se hipotonia. (Wikipédia).

Quando o tônus muscular é equilibrado, é chamado de eutonia pela Psicologia Biodinamia. Todos experienciamos no decorrer da vida situações traumáticas, principalmente na fase infantil. Criamos defesas emocionais para lidar com estas e futuras situações a que tenhamos que vir a enfrentar. Estas defesas se apresentam em nossa mente e em nosso corpo. Uma das formas de manifestação no corpo é através da tonificação muscular.

Quando inibimos o fluxo de uma excitação, como prazer, angústia ou raiva, por exemplo, contraímos a musculatura, fazendo com que ela enrijeça e geramos a Hipertonia.

Quando o impulso é recuado para o inconsciente, deixamos de fazer contato com ele, a área do corpo que deveria estar envolvida na expressão é amortecida, perdendo os sentimentos e sensações normais dela, ocasionando a Hipotonia.

Para entender as alterações do tônus muscular, é importante considerar os fluxos de energia no organismo, dado que a hipotonia muscular está intimamente ligada a condições de baixa carga na região afetada. A falta de tônus, que é o gerador de limite, permite que a energia vaze, Na região hipertônica há grande concentração de energia, porém preza.

É difícil encontrar pessoas totalmente hipertônicas ou hipotônicas. É comum deparamos com musculaturas normais, hiper e hipo num mesmo indivíduo. Num corpo com predominância hipertônica, o corpo e a personalidade são excessivamente rígidos e inflexíveis, enquanto que no hipotônico são por demais maleáveis. Pessoas hipertônicas normalmente se adequam melhor às exigências sociais e são admirados por ter mais facilidade de conquistar dinheiro, parceiros sexuais e poder. Enquanto que indivíduos hipotônicos se mostram superiores se o critério priorizar itens como criatividade, desempenho artístico, desenvolvimento espiritual, intuição ou sensibilidade.

O tônus muscular varia conforme as situações, em situações de confiança e tranqüilidade, tende ao relaxamento. Por outro lado, ansiedade, medo e estresse evocam a hipertonia. Pode ser que um indivíduo se mostre hipotônico ou eutônico, mas, numa situação de vida determinada, reaja com hipertonia ao desafio. Ou ainda que se revele hipertônico, mas numa situação de conflito em sua vida reaja com resignação, colapso e hipotonia.

Eu gosto muito da analogia do tônus muscular com as cordas do violão, que se estiverem muito esticadas ou muito frouxas não produzirão um som claro e harmônico, assim acontece conosco, se a musculatura estiver muito contraída ou cronicamente relaxada, não responderemos harmonicamente às situções da vida quando formos tocados. O desafio está em conseguirmos afinar nosso corpo!


O Tônus Muscular na Dança de Salão

Como meu objetivo com o estudo da Psicologia Corporal é adquirir conhecimentos e ferramentas para melhorar o meu trabalho e a prática da Dança de Salão, esse tema veio muito a convir.

Para o bom dançarino se faz necessária uma boa tonificação! Primeiramente porque a musculatura é uma das principais responsáveis por manter a estrutura, a postura e o equilíbrio do dançarino. E segundo, porque a comunicação na dança entre o casal, se faz através do corpo, com a condução do cavalheiro e a resposta da dama.

O dançarino hipertônico, possui um corpo mais rígido, duro, o que faz com que seus movimentos sejam mecânicos, na maioria das vezes sem graciosidade, brutos e sem sentimento. O hipotônico, com o corpo mais mole, possui pouca identificação com o corpo e pouca energia, tem maior dificuldade de cordenação e baixa resistência.

O excesso de tônus por parte do cavalheiro na condução faz com que seja bruta e desconfortável, enquanto que o baixo tônus que a condução seja incompreendida. O excesso de tônus por parte da dama na resposta das conduções faz com que a dançarina fique pesada e que limite os movimentos, e a falta de tônus faz com que não responda a condução ou que o faça de forma lenta e atrasada.

A Dança é uma ótima forma de tonificar a hipotonia, fazendo com que o corpo se carregue com mais energia e que adquira mais firmeza e resistência. Em compensação, se mal trabalhada pode aumentar a rigidez em hipertonias e contrair musculaturas normais (eutonia).

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Continuar no raso ou mergulhar???


- Vai continuar aí? no raso?
- Han?
- É isso! Por que não mergulha?
- É que... sei lá... dá medo!
- Medo do quê?
- Não sei...
- Medo de ser inundado?
- É, talvez... medo de perder o controle!
- E se isso acontecer?
- Não sei! Por isso é que dá medo?
- Acha que isso pode te matar?
- (silêncio) Não!
- Então?
- Mas é que... eu não sei como vai ser! o que vou sentir... pode ser muito bom, mas também pode doer!
- Só tem uma forma de descobrir!
- Ah, falar é fácil!
- Você está feliz aí no raso?
- Não!
- Quer continuar vivendo assim?
- (silêncio) (uma suspirada) Não...
- Então mergulha!
- Mas o mar não parece dos mais tranquilos...
- Nem sempre o mar que precisamos mergulhar é o mais tranquilo, mas aquele que se encontra a nossa frente e que não conseguimos desviar.