quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Antes idiota que infeliz!

Por: Arnaldo Jabor

Uma vez Renato Russo disse com uma sabedoria ímpar: "Digam o que disserem, o mal do século é a solidão". Pretensiosamente digo que assino embaixo sem dúvida alguma. Parem pra notar, os sinais estão batendo em nossa cara todos os dias. Baladas recheadas de garotas lindas, com roupas cada vez mais micros e transparentes, danças e poses em closes ginecológicos, chegam sozinhas e saem sozinhas. Empresários, advogados, engenheiros que estudaram, trabalharam, alcançaram sucesso profissional e, sozinhos. Tem mulher contratando homem para dançar com elas em bailes, os novíssimos "personal dance", incrível. E não é só isso não, se fosse, era resolvido fácil, alguém duvída?

Estamos é com carência de passear de mãos dadas, dar e receber carinho sem necessariamente ter que depois mostrar performances dignas de um atleta olímpico, fazer um jantar pra quem você gosta e depois saber que vão "apenas" dormirem abraçados, sabe essas coisas simples que perdemos nessa marcha de uma evolução cega. Pode fazer tudo, desde que não interrompa a carreira, a produção. Tornamos-nos máquinas e agora estamos desesperados por não saber como voltar a "sentir", só isso, algo tão simples que a cada dia fica tão distante de nós.

Quem duvida do que estou dizendo, dá uma olhada no site de relacionamentos ORKUT, o número de comunidades como: "Quero um amor pra vida toda!", "Eu sou pra casar!" até a desesperançada "Nasci pra ser sozinho!" Unindo milhares ou melhor milhões de solitários em meio a uma multidão de rostos cada vez mais estranhos, plásticos, quase etéreos e inacessíveis. 

Vivemos cada vez mais tempo, retardamos o envelhecimento e estamos a cada dia mais belos e mais sozinhos. Sei que estou parecendo o solteirão infeliz, mas pelo contrário, pra chegar a escrever essas bobagens (mais que verdadeiras) é preciso encarar os fantasmas de frente e aceitar essa verdade de cara limpa. 

Todo mundo quer ter alguém ao seu lado, mas hoje em dia é feio, démodé, brega.

Alô gente! Felicidade, amor, todas essas emoções nos fazem parecer ridículos, abobalhados, e daí? Seja ridículo, não seja frustrado, "pague mico", saia gritando e falando bobagens, você vai descobrir mais cedo ou mais tarde que o tempo pra ser feliz é curto, e cada instante que vai embora não volta mais (estou muito brega!), aquela pessoa que passou hoje por você na rua, talvez nunca mais volte a vê-la, quem sabe ali estivesse a oportunidade de um sorriso à dois. 

Quem disse que ser adulto é ser ranzinza, um ditado tibetano diz que se um problema é grande demais, não pense nele e se ele é pequeno demais, pra que pensar nele. Dá pra ser um homem de negócios e tomar iogurte com o dedo ou uma advogada de sucesso que adora rir de si mesma por ser estabanada; o que realmente não dá é continuarmos achando que viver é out, que o vento não pode desmanchar o nosso cabelo ou que eu não posso me aventurar a dizer pra alguém: "Vamos ter bons e maus momentos e uma hora ou outra, um dos dois ou quem sabe os dois, vão querer pular fora, mas se eu não pedir que fique comigo tenho certeza de que vou me arrepender pelo resto da vida".

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Pista, Show ou Sala de Aula - Onde está o seu Palco


por: Gustavo Lilla (http://www.salsadesignseo.com.br)

Muitos de nós já ouvimos, ou mesmo pensamos, ao observar uma pessoa arrasando e curtindo muito na pista de dança: “Uau! Que fantástico! Quero fazer aulas com ele (ou ela).”. Ou ainda, após assistir a um show de tirar o fôlego: “Vou ficar só esperando ela(e) sair do camarim, e quero ser o primeiro a tirá-la(o) pra dançar. O baile está garantido!”. Quantos de nós já não fizemos ‘aquela’ aula de babar, ficamos encantados com os professores(as), e mal conseguíamos conter a ansiedade em vê-los em ‘ação’ nos shows da noite? Esses são apenas alguns exemplos de como podemos interligar essas diferentes manifestações salseiras. O ponto é que muitas vezes essas nossas expectativas não são plenamente atendidas, e surge a frustração. Vamos tentar entender um pouco do porquê.

Acredito que a esses casos citados acima, aplica-se perfeitamente o tal do “Uma coisa é uma coisa, e outra coisa é outra coisa”. Um bom dançarino de baile não é necessariamente um showman, um bom professor não arrasa necessariamente na pista, e o dançarino performático nem sempre consegue dar uma boa aula. Existem inúmeros exemplos disso, e eu não estou aqui para favorecer um em detrimento do outro, e reconheço que há por sua vez raros exemplos de profissionais que se destacam realizando excelentes trabalhos em duas ou mesmo em todas essas áreas. Quem poderia ainda afirmar que é mais fácil, ou melhor, se apresentar do que dar aulas, dançar na pista do que fazer shows, e assim por diante? O fato é que todos temos nossos próprios talentos, e sabemos onde nos sentimos plenos e realizados. Tudo tem seus méritos, e requer habilidades muito diferentes umas das outras:
  • Dançar na pista, curtir o baile, cada música, fazer o seu parceiro(a) sentir-se especial independente do seu nível de dança não é fácil, e as pessoas que fazem isso com maestria são consideradas as mais queridas. São aquelas pessoas que todos e todas querem ter por perto. Sinônimos de diversão garantida na balada. Esse é realmente um dom para poucos, e a recompensa vem na forma de encantadores sorrisos e abraços durante e depois da dança.
  • Fazer um show não significa apenas executar uma coreografia. Tem que amar estar lá, sendo observado, admirado, idolatrado e muitas vezes criticado por toda aquela platéia. Ahhh a platéia… o showman ‘vive’ para essa platéia! Nasceu para encenar, e consegue tocar a todos com a sua interpretação. É uma mistura de ator/atriz com dançarino(a). Não importa se o show durou dois minutos ou duas horas, o showman sempre vai sair com um gostinho de “num acredito que já foi!”. E aí? Vai encarar? Se esse é o seu palco, aproveite os aplausos e capriche nos agradecimentos.
  • Ser um professor vai muito além de passar passos e movimentos a um grupo de pessoas. Vídeos na Internet existem às pencas, mas nada substitui o professor. O verdadeiro professor deve estar preparado para formar e informar dançarinos, sejam eles futuros profissionais, baladeiros ou mesmo pessoas que querem aprender a dançar sem pretensão alguma – todos merecem qualidade de informação. Um professor deve buscar incansavelmente o aperfeiçoamento da técnica, conhecer a história do que está ensinando, pesquisar tendências e estar familiarizado com metodologias de ensino. Deve estar preparado para responder às perguntas de alunos que muitas vezes parecem crianças de 4 ou 5 anos com os seus “mas por quê?”. É… dá trabalho, mas a satisfação de olhar um aluno na pista se divertindo, matando a pau numa apresentação, ganhando competições ou mesmo se tornando um professor compensa todo o esforço. Melhor ainda quando nos damos conta de que esse aluno nos superou… missão cumprida!
Tudo isso seria muito lindo, se não tivéssemos uma pressão do mercado (do meio) para que um profissional de dança seja “fera” em tudo. Como já disse acima, são raros esses casos, e então entra em cena o famigerado e tão conhecido “ego”. Como parte da construção básica da personalidade, ele é fundamental. No entanto, ao nos tornarmos escravos de seus caprichos, arriscamos nossas carreiras e relacionamentos no mundo salseiro. Certa vez, conversando com um dançarino, ele me perguntou: “Gustavo, se uma pessoa chega pra você e diz que não gosta da sua aula, que sua aula é ruim, como você reage?”. Eu respondi que não há problema algum em pessoas não gostarem do meu ou do seu trabalho, e que graças a Deus existem diversos profissionais, professores que trabalham com metodologias e técnicas diferentes. Eu tentaria identificar os pontos de divergência entre a minha aula e o que ele quer, e o encaminharia a algum professor que pudesse atendê-lo. No que ele me respondeu: “É, taí a nossa diferença. Se alguém me disser que não gosta da minha dança, eu vou fazer de tudo pra mudar e fazer com que ela passe a gostar”. Boa sorte…

Pois é, vamos combinar que ninguém nem nada é unânime, e que o melhor é sempre agir de acordo com a nossa natureza. Você não vê um pé de caqui deprimido porque queria dar bananas. Abrace o seu talento! Salseiro conhece-te a ti mesmo… suba no seu palco, seja autêntico… e divirta-se!

domingo, 3 de outubro de 2010

Amigos

Alegria te mantém doce, desafios te mantém forte, tristezas te mantém humano, falhas te mantém humilde, sucesso te mantém reluzente. Mas, somente amigos te mantêm em movimento!

sábado, 2 de outubro de 2010

Viver ou Juntar dinheiro?

Texto de Max Gehringer

Há determinadas mensagens que, de tão interessante, não precisam nem sequer de comentários. Como esta que recebi recentemente.

Li em uma revista um artigo no qual jovens executivos davam receitas simples e práticas para qualquer um ficar rico.

Aprendi, por exemplo, que se tivesse simplesmente deixado de tomar um cafezinho por dia, nos últimos quarenta anos, teria economizado 30 mil reais. Se tivesse deixado de comer uma pizza por mês, 12 mil reais. E assim por diante.

Impressionado, peguei um papel e comecei a fazer contas. Para minha surpresa, descobri que hoje poderia estar milionário. Bastaria não ter tomado as caipirinhas que tomei, não ter feito muitas viagens que fiz, não ter comprado algumas das roupas caras que comprei. Principalmente, não ter desperdiçado meu dinheiro em ítens supérfulos e descartáveis.

Ao concluir os cálculos, percebi que hoje poderia ter quase 500 mil reais na minha conta bancária. É claro que não tenho este dinheiro. Mas, se tivesse, sabe o que este dinheiro me permitiria fazer? Viajar, comprar roupas caras, me esbaldar em ítens supérfulos e descartáveis, comer todas as pizzas que quisesse e tomar cafezinhos à vontade. Por isso, me sinto muito feliz em ser pobre. Gastei meu dinheiro por prazer e com prazer. E recomendo aos jovens e brilhantes executivos que façam a mesma coisa que fiz. Caso contrário, chegarão aos 61 anos com uma montanha de dinheiro, mas sem ter vivido a vida.


"Não eduque seu filho para ser rico, eduque-o para ser feliz. Assim ele saberá o VALOR das coisas e não o seu PREÇO".

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Forró com 2 damas


Tudo começou com uma brincadeira no final das aulas na Heavy Weight, com uns passos simples, aí uns não tanto, depois já arriscava dançar no forró no Treze de Maio, até que viram e surgiu o convite para a apresentação! Sem fonte de informações (no YouTube só achei um vídeo - rsrs) o jeito foi adaptar uns movimentos, criar umas seqüencias e vamos lá! e deu nisso:

Apresentação improviso de Forró com duas Damas na Piegel Café Dançante no dia 19 de setembro, dançaram comigo Aline Michels (aluna) e Suellen Sesola (amiga), parceiras de forró e 'cobais' nesta empreitada!



Muito obrigado Alê e a Piegel pelo convite, as meninas pela parceria e a todos que foram nos ver dançar!

Diogo Oliveira

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Ousadia



OUSADIA


Ouso sentir
a brisa em meus cabelos
nos fins das tardes
tranquilas e indolentes.


Ouso parar
e não fazer coisa alguma
e deixar que o tempo passe
sem temer perdê-lo
por razões absurdas.


Ouso silenciar
e embriagar-me de coisas ínfimas
e transformá-las em histórias
fantásticas e impossíveis.


Ouso sorrir
o riso terno, infantil,
e sem motivo.


Ouso chorar
e me entristecer eventualmente
ao sentir a dor necessária.


Ouso indignar-me
com a miséria triste
que devora o homem.


Ouso o prazer
de pisar meus pés à terra
e sentir minha respiração pulsar
e encher-me de plena vida.


Ouso celebrar
o encantamento da poesia
dos pássaros a dançarem
os finais das tardes.


Ouso ter fé
e crer no amor
e na humana capacidade
de descobrir o divino
dentro de nós.


Ouso seguir em frente
tendo como única direção
o infinito.


Ouso amar
placidamente
a toda sublime existência
e seguir desnudo
de corpo e alma.


Ouso, sim, viver,
sobretudo.


Por: Gustavo Figueiredo


O Gustavo é meu colega de pós, ele escreveu essa poesia depois de um fim de semana de workshop que mexeu muito conosco. É interessante analisar o conteúdo e pensarmos como estamos vivendo nossa vida, que essas coisas que na poesia foi tratada como 'ousadia', deveriam ser as coisas mais normais para nós, mas devido ao ritmo de vida que o mundo nos impõem, acabamos perdendo o contato com a vida e com nós mesmos. Assumimos o personagem que a sociedade deseja, fazemos faculdade, pós, inglês, espanhol, malhamos, usamos roupa da moda, permanecemos no emprego, somos bons filhos, pais exemplares, colegas educado, freqüentamos lugares badalados, enchemos nosso dia de atividades... não podemos perder tempo! Mas quando vamos viver? Entrarmos em contato com nós mesmo e percebemos como nos sentimos e o que queremos? A nos permitirmos, ou como disse a poesia, 'ousarmos', apreciar as coisa belas da vida e seguirmos nossos sentimentos? Quando as pessoas vão entender que SER é mais importante que ter?  E que estamos nessa vida para SERMOS FELIZES e não apenas termos felicidade?


Abraços!

Diogo Oliveira

Eu comigo mesmo

Se o conteúdo da postagem 'Ousadia' fez sentido para você, leia este texto, ele é um pouco longo, mas com muito conteúdo e nos faz refletirmos muito sobre nós mesmos. E se quiser ir um pouco além, imprima ele e conforme for lendo, marque ao lado de cada trecho: 1 - este sou eu; 2 - isso eu preciso trabalhar, e mãos a obra!

Abraços!

Diogo Oliveira


EU COMIGO MESMO


Amar o que eu sou
Todo indivisível que constitui o ser
e o acontecer do meu corpo
no espaço e no tempo.


Amar as coisas que eu estou fazendo
e o modo como eu as faço.


Amar as minhas limitações,
como amo as minhas possibilidades
e nos meus acertos e erros
amar o meu projeto que vai se transformando em obra
no trabalho da construção de mim mesmo.


Amar-me como eu estou aqui e agora.


Vivendo a vida simplesmente, naturalmente
com o ar que eu respiro o chão que eu piso
as estrelas que eu sonho,


Às vezes gostar de mim é um desafio
uma prova de fogo que releva se eu realmente me amo
ou apenas finjo amar-me.


Gostar de mim na perda
quando a vida me fechar uma porta
sem nenhum aviso ou explicação.


Gostar de mim quando me comparo com os outros,
quando me avalio pelos padrões estabelecidos
de sucesso, beleza, inteligência, poder,
deixando de amar o que sou
em nome daquilo que me falta
ou daquilo que me sobra
em relação ao meu semelhante.


Gostar de mim quando erro
quando fracasso
quando não dou conta
quando não faço bem feito
e ainda encontro quem me critique
ou zombe de mim por eu ter sido
apenas o que sou:
- limitado, vulnerável, imperfeito, humano.


Gostar de mim no fundo do poço,
cabeça a mil,
coração a zero,
e ainda assim ser capaz de ouvir e de respeitar
as referências do meu próprio corpo
como um amigo fiel, atento e carinhoso.


Estar comigo e me fazer companhia
quando mais ninguém parece estar disposto
a me escolher e me aceitar.


Estar do meu lado,
ainda que tudo e todos permaneçam contra mim.
Minha vida me pertence de fato e de direito
e posso me dispor dela da maneira que eu bem entender.
Se a minha escolha não for semelhante à sua
não posso me entristecer
nem devo me sentir infeliz por não receber o seu aplauso:
- eu sou eu e você é você.


Amar-me é descobrir
que eu sou eu
e ou outro é o outro.


Não é preciso que eu me justifique com você a todo momento buscando a sua aprovação para o que eu faço
e para o modo como eu estou fazendo:
- Amar é reconhecer e aceitar as nossas diferenças
e me amar é dar-me o direito de ser diferente
ainda que às vezes isso represente ser rejeitado por você.


Amar é dar a mim o que é meu
para dar a você o que é seu.


Amar-me é responder presente
à chamada do presente.
Estar presente é estar inteiro
e estar inteiro é estar consciente
das partes nem sempre lógicas e coerentes
que constituem o meu ser aqui e agora.


Estar presente é respirar.


Perder o fôlego é fatal;
- morro para a vida agora
em nome de alguma coisa
que eu penso estar me faltando
que eu penso que me faltará.


Presente é
o presente que a vida me dá
a todo momento.
- Devo recusar?


Meu passado é uma gaiola de ferro.
Meu futuro é uma gaiola de vento.
Uma me prende por ser tão certa e definitiva
outra, por ser tão vaga e absurda.


Meu trilema:
querer
poder
e dever.


Às vezes quero, mas não posso
Às vezes posso, mas não devo
Às vezes devo, mas não quero.


Gostar de mim
é fazer aquilo que eu posso
para alcançar aquilo que eu quero.


Gostar de mim
é não usar aquilo que eu devo
como desculpa para coisas que eu realmente não posso.


Só no presente eu posso voar.


A vida é a síntese
de todos os opostos
que continuam a vida:
- nascimento e morte
alegria e tristeza
sucesso e fracasso
acerto e erro
alto e baixo
bom e mau
prazer e dor.


Experimento o verdadeiro auto-amor
quando descubro,
sob o véu dos meus conflitos
a maravilhosa harmonia que existe entre todos os opostos.


Conheço os sintomas de minha depressão:
- Penso nas coisas desagradáveis
que estão correndo à minha volta;
- penso nos aborrecimentos
que estas coisas estão me trazendo;
- penso em como estou impotente
para mudar o curso dos acontecimentos;
- penso que eu sou mesmo um pobre coitado,
vitima das circunstâncias...


Penso. É o bastante.


Gostar de mim
é ser capaz de me sentir
antes de me pensar.


Gostar de mim
é mergulhar na dor que me chega
as invés de evita-la a todo custo.


Amar a mim mesmo
é algo muito diferente
de ser egoísta.


Só alguém que não se ama
alguém que despreza o tesouro
que possui no seu interior
é capaz de tornar-se egoísta.


Buscando possuir sempre mais
julgando-se o maior e o melhor em tudo
tentando ser o centro de todas as atenções
o egoísta, no fundo, deseja apenas
ser reconhecido por todos
como a pessoa mais importante do mundo.


Alguém só se torna egoísta
quando não se sente importante para si mesmo
quando não consegue se amar.
Quando eu sou a pessoa mais importante do mundo para
mim mesmo, entre o eu e eu acontece o verdadeiro amor, o
amor que tanto me falta quando eu me rejeito e me
desprezo em nome de ser a pessoa mais importante do
mundo para os outros.


O que sinto, o que faço
de onde vim, para onde vou
é no outro que eu traço
o perfil do que eu sou.


O que vejo no outro
é a minha própria imagem refletida.


(É inútil eu querer me enganar:
- só vejo uma espinha no espelho
se no meu rosto tiver mesmo uma espinha...)


Quando eu compreender o que se passa comigo
posso compreender o que se passa com o outro.


O outro deixa de ser um enigma
quando eu compreendo a enigma que eu sou.


Eu me relaciono com as outras pessoas
do mesmo modo como eu me relaciono comigo.
Se eu me amo, não sei te odiar
Se eu me odeio, não sei te amar
Se eu me desprezo, não sei te respeitar
Se eu me respeito, não sei te desprezar
Como eu te aceito, se eu me rejeito?
Como eu te rejeitar, se eu me aceito?
Celebro o amor a mim mesmo
o nascimento do amor pelo meu próximo.


Observo o meu ritmo
a maneira pela qual eu existo
e funciono como pessoa.
- Sou um processo em permanente transformação.


(Todas as vezes que eu saio do meu ritmo eu danço...)


Trata-se da minha vida,
da única coisa que eu sou e possuo neste mundo.
Posso fazer dela o que eu quiser:
- viver do meu modo, segundo o meu ritmo,
correndo o risco de desagradar umas tantas pessoas,
ou submeter-me à vontade dos outros
correndo risco de sentir-me traído e abandonado
em relação a mim mesmo.


Posso me decidir por mim
ou me decidir pelos outros.


Mas qualquer que seja a minha escolha
terei de carregar sozinho o peso da minha decisão.


Para lhe dizer eu te amo
devo aprender a me dizer eu me amo.


Do contrário meu amor por você
é apenas uma desculpa
um artifício para conservá-lo
na minha coleção particular de objetos úteis.


Antes de você existe
EU,
sem que isso signifique presunção da minha parte
ou menosprezo pelas sua pessoa.


E embora eu me sinta muito feliz com sua presença,
antes de estar com você, estou
COMIGO,
não lá, num lugar imaginário de encontro, mas
AQUI
AGORA.


Por: Geraldo Eustáquio de Souza