quarta-feira, 1 de junho de 2016

DANÇAR x MOVER-SE na Música

Gosto quando as pessoas conseguem colocar em poucas palavras toda uma ideia, um exemplo disso aconteceu antes de uma aula, quando uma novo aluno me disse que veio fazer aula comigo porque gostava como eu dançava, diferente de outros que apenas se movimentavam na música. Aquilo ficou reverberando em meus pensamentos. A forma como tenho visto muita gente "dançar", sinceramente, não tem me sensibilizado, e isso me fez buscar entender o porquê.

Podemos começar com a grande diferença entre Esporte e Arte. No esporte conta o desempenho, é uma competição, precisa-se vencer. Na arte predomina a emoção, expressar através da sua atividade o que se está sentindo ou que se deseja transmitir. Gosto da dança enquanto arte, quando se tem emoção! Sabe aquela sensação que nos faz querer pegar um par e sair bailando logo após assistirmos uma apresentação de dança ou ver um casal dançando no salão? Então, isso é uma ótima dança para mim, aquela que me toca e me desperta o desejo de dançar também! E pra quem já é praticante sabe que esse desejo não irá passar enquanto não for expressado!


Tenho visto muitas danças que quando chegam ao fim eu digo "foda", "os caras são bons"... mas não me despertam o desejo de dançar e muitas vezes nem de querer continuar assistindo. Muitos dançarinos têm se dedicado intensamente às técnicas, e isso é muito importante para quem quer ser profissional, ou simplesmente melhorar a sua dança, mas quando toda essa técnica é desprovida de emoção... hum... a dança deixou de ser uma arte, ficou fria de sentimentos, é abastecida apenas pela ação, e algumas vezes criatividade, resultando na elaboração de movimentos difíceis de serem executados, uma coordenação motora surpreendente e muita agilidade, mas que não encantam os demais, e até arrisco a dizer, que não satisfaz plenamente quem o executou, pois em pouco tempo esse nível técnico não contentará mais e precisará se elevar e se desafiar novamente e assim sucessivamente.

Na dança de salão, assim como na vida, pensamos, agimos e sentimos, o equilíbrio entre ambos é que trás a harmonia e a beleza. A dança é movimento, está na ação, na nossa camada mesomórfica, mas quando desprovida do envolvimento da camada endomórfica, responsável pela emoção e pelo contato, ela se torna fria e sem expressão. Sem a participação da camada  ectomórfica perde a percepção sensorial e a criatividade ficando muito mecânica. Em ambas as circunstâncias a dança nos deixa com a sensação de estar faltando ago. (Quem desejar aprofundar um pouco mais nesse tema tem uma postagem publicada falando dos Tipos Contitucionais).

Como a arte é uma forma de expressão, não podemos deixar de falar sobre espontaneidade. Na minha monografia da pós-graduação em Psicoterapia Corporal dediquei um capitulo ao tema Auto-expressividade. Espontaneidade é uma atitude que vem do ser, do self, é uma qualidade essencial à expressividade. Quando o comportamento é aprendido e controlado o ego está em ação. Na dança aprendemos movimentos (ego), mas se estes não forem espontâneos em sua execução (self) a dança perderá o encanto e o prazer. "Quando o controle (ego) e a espontaneidade estão em harmonia a ponto de um suplementar o outro ao invés de tolhe-lô, garante aos nosso comportamentos maior objetividade e um nível de prazer mais elevado." (Alexander Lowen).

Uns dias atrás estava rolando no facebook um daqueles videos que viralizam, que um monte de gente compartilha e marca os amigos, era a apresentação de um grupo de dança numa competição (não era no Brasil, não sei onde era), eles eram fantásticos (para não dizer "fodásticos"), excelente técnica, sincronia, precisão, plasticidade e um monte de outras qualidades! No final da apresentação ficamos de queixo caído! Mas e a vontade de dançar depois de assistir? Hum... talvez à quem goste de competir, porque aos apreciadores da dança como lazer... estes provavelmente se sintam mais intimidados do que estimulados... Mas foi lindo!

Num daqueles dias que paramos para pensar,  estava refletindo sobre o comportamento dos dançarinos em seus diferentes níveis de dança e os comparando as fases da vida. O iniciante é como a criança, está inseguro com seu pouco conhecimento e experiência e se torna tímido no salão, arrisca muito pouco, as vezes nem se atreve a ir para a pista, e quando o faz se mantem na zona de conforto. O intermediário é como o adolescente ou jovem, tem necessidade de se auto-afirmar, ele quer se destacar, mostrar tudo o que sabe, o cavalheiro vai querer executar todos os passos do seu repertório em uma unica dança e a dama precisa colocar todos os enfeites e jogadas de cabelo que aprendeu nas aulas de ladie style. Preocupação social com o salão? Isso é o de menos, o importante é fazer o seu show. O avançado é como o adulto, já amadureceu, sabe que o importante não é a quantidade e sim a qualidade, dança para si e para o parceiro buscando o prazer para ambos. O sênior é como o idoso, já experienciou uma longa vida de prazeres e dores e o que vale agora é viver e se divertir, se entregam para aquela dança como se fosse a última, como se nada mais existisse. Assim como na vida os dançarinos também passam por diversas fases, o caminho da evolução é válido quando acompanhado de maturidade e conhecimento usado com sabedoria.

Teria diversos temas a mais para abordar, aspectos que influenciam na diferença entre dançar e mover-se na música, um deles deixei de lado de propósito, as competições, só ele renderia uma postagem exclusiva, mas creio que os pontos abordados já nos dão material para olharmos para nossa dança e vermos que caminho estamos seguindo e se é por aí que queremos continuar. O tema é recorrente e acredito que continuará em pauta ainda por um bom tempo, eu mesmo já o abordei aqui no inicio de 2012, agora voltei a ele com mais experiência e mais fundamentado. Quando me perguntam se gostei de uma dança, sabe em que me embaso para responder? Se ela me tocou de uma forma positiva. Minha vivencia com a dança de salão junto com meus estudos de psicologia e minha terapia pessoal me tornaram seguro para dar crédito ao que eu sinto! Se eu preciso ficar racionalizando, avaliando e equacionando para dizer se gosto ou não de uma dança, é porque estou precisando argumentar contra minha percepção e isso deixou de ser resposta espontânea e verdadeira, permitindo que o meu ego prevaleça sobre meu self. Não tenho intenção nenhuma de deixar de ser quem sou para agir como os demais acreditam que deva ser.

O que te encanta quando você assiste uma dança?

sexta-feira, 23 de outubro de 2015

Ritmo e Prazer

     Me encanta o estudo da psicologia e do comportamento humano! Quem acompanha meu trabalho e minhas escritas sabe que sempre procuro fazer essa ligação com a Dança de Salão. Estou terminando de ler o livro Prazer: uma abordagem criativa da vida, do Alexander Lowen e tenho por meta escrever uma postagem abordando o tema do livro e como isso influencia nossa vida e nossa dança. Mas hoje, lendo uma parte do livro, o tema teve um apelo muito forte e significativo que me inspirou a dedicar uma postagem ao assunto "Os Ritmos do Movimento". Como estarmos fora de nosso ritmo nos distancia do prazer.


     Nosso organismo funciona ritmicamente gerando a mobilidade espontânea, o coração bate, os vasos sanguíneos se expendem e sem contraem, a respiração é contínua e a atividade celular nunca cessa. Essas atividades são involuntárias e dotadas de um ritmo que varia de acordo com a excitação do organismo e de suas partes.

     Na relação com o mundo externo, que abrange nossos contatos com as pessoas e ambientes as quais convivemos, nossas atividades são voluntárias, recebemos estímulos e respondemos com movimentos. A parte do corpo mais envolvida nessa atividade é a externa. Todo estímulo à superfície do corpo e por ele percebido é agradável ou doloroso. Segundo Lowen, não existe estímulos indiferentes pois o estímulo que não consegue criar sensação, não será percebido.

     Reagimos diferente à estímulos idênticos, o que gera prazer para uns pode representar dor para outros, o momento e a situação também influenciam, como quando se está concentrado em uma atividade, a pessoa pode recusar receber um carinho para não perder a concentração, mas um tapinha nas costas pode ser sinal de aprovação e gerar um estímulo positivo. Quando os estímulos harmonizam com os ritmos de nossos corpos encontramos prazer. A música que adoramos dançar, será incomoda quando estivermos tentando pensar, nossa comida predileta não terá o mesmo sabor se estivermos sem apetite e assim funciona em todos os outros sentidos.

     Segundo Lowen (1984, p. 201), a relação entre ritmo e prazer é claramente vista na função motora da parte externa do corpo, isto é, nos movimentos voluntários. "Qualquer atividade motora, realizada ritmicamente, é agradável. Se for realizada mecanicamente, sem sensação de ritmo, adquirirá qualidade dolorosa". Ele cita com o exemplo o andar, quando se anda ritmicamente, o andar é agradável, mas quando se tem pressa a atividade se transforma numa tarefa e perde o prazer. Podemos avaliar o prazer ou a falta dele, na vida das pessoas, pela forma como se movem. A pessoa que vive com prazer move-se com ritmo, sem esforço e graciosamente. Mas em nossa cultura nos deparamos com andares rápidos, compulsivos e bruscos, revelando a falta de alegria em suas vidas. Na dança de salão, principalmente quando realizada de improviso (não coreografada), até os mais leigos conseguem perceber se os dançarinos estão bailando com alegria e prazer ou se estão apenas preocupados com o desempenho.

     Se nos identificamos com nossos corpos e sua busca de prazer, nossos movimentos tornam-se rítmicos. A dança é um exemplo clássico do prazer em movimentos rítmicos. A música coloca sua vibração em contato com nossos corpos, que responde em padrões rítmicos dos passos de dança. Quando não estamos acompanhando o ritmo da música ou quando a música não se harmoniza com nossa vibração interna temos uma sensação desagradável.

     Os movimentos involuntários, diferente dos voluntários, exigem muita coordenação antes de se tornarem rítmicos, como as danças e os esportes, por exemplo. Para a aquisição destas e outras habilidades precisasse de dedicação e esforço. Conforme se adquire maior coordenação nos movimentos do corpo, estes se tornam mais rítmicos e geram maior prazer. Pessoas com mais coordenação, buscam ritmos mais complexos para excitar seus corpos. Quando se adquire qualidade rítmica, o prazer é grande, porém no momento que ser perde o ritmo a atividade passa a ser um doloroso combate. Por exemplo, uma pessoa depois de um tempo se dedicando à aulas e práticas de dança, atinge uma boa qualidade rítmica dos seus movimentos e sente muito prazer dançando, mas se por uma força qualquer precise passar um período afastada dessa atividade, quando retorna, esta, antes prazerosa, pode se tornar dolorosa, pois perdeu o ritmo e precisa recomeçar.

     Dividimos nossas atividades em coisas que fazemos seriamente, com um propósito ou ganho e coisas que fazemos por divertimento ou prazer. No aspecto sério da vida, a atividade rítmica espontânea parece não ter lugar. As pessoas andam mecanicamente, trabalham compulsivamente e falam monotonamente, sem ritmo e, algumas vezes, sem pé nem cabeça, procuram ter a eficiência fria de uma máquina. Devido à ausência de ritmo, perdem o prazer nessas atividades e depois tentam recuperar o ritmo nos esportes, dança, jogos e outras formas de recreação. Mas muitas vezes são frustradas pelo impulso compulsivo do ego em obter sucesso ou perfeição.

     A dança, que é uma atividade que proporciona tanto prazer, se realizada com a premissa no desempenho, sem seguirmos nosso próprio ritmo, logo passará a ser desgastante e desprazerosa. Não somos como máquinas que têm eficiência por estarem programadas a apenas um padrão de movimento rítmico. Somos dotados de um número quase ilimitado de padrões rítmicos que variam conforme disposições e desejos, que mudam conforme a excitação varia. Somos capazes de entrelaçar padrões rítmicos complexos para aumentar nosso prazer e alegria. Somos estruturados biologicamente para o prazer não para a ser eficiente. O homem é um ser criativo, não produtivo. (LOWEN, 1984)

     Temos que tomar cuidado para que nosso prazer não seja sacrificado em prol de nossa produtividade. Se no momento essa mudança ainda não pode ser alcançada em seu trabalho, fica a reflexão! Mas, principalmente, procure não adotar esse padrão rítmico em suas atividades de lazer. Essa semana li uma frase que casa com isso, "não existe caminho para a felicidade, a felicidade é caminho" (autor desconhecido).

     Encontre o seu ritmo e o prazer de viver!


REFERÊNCIAS

LOWEN, Alexander. Prazer: uma abordagem criativa da vida. São Paulo: Summus, 1984.

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Primeira semana de aulas da Nova Grade

A primeira semana da Nova Grade de Aulas foi um sucesso!!! \o/ 




Você conhece Roda de Cassino? É uma Salsa dançada em roda onde um cantante, canta o passo e os dançarinos o executam simultaneamente, muitos dos passos acontecem trocando os pares, é muito divertido! Uma pequena amostra da Roda de Cassino que fizemos na primeira aula de Salsa, com movimentos iniciais e simples.



Ainda dá tempo! Venha fazer aula e dançar com a gente!!! Marque uma aula experimental grátis!

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Sambas para ouvir e dançar

Mês passado compartilhei grupos de Forró que gosto de ouvir e que uso nas aulas, como a galera curtiu as indicações vou fazer o mesmo com o Samba.
Vou começar pela safra mais nova, gosto muito do João Sabiá, bom de ouvir e também ótimas músicas para dançar, principalmente para os iniciantes. Rogê e Seu Jorge tem uma levada samba-rock muito boa! Casuarina tem uns samba muito gostosos. Paula Lima não pode ficar de fora da lista.

Duas gerações de grandes sambista João Nogueira e seu filho Diogo Nogueira e Martinho da Vila e sua filha Mart'nália.

Temos ótimos cantores e grupos de samba, mas também temos vários artistas que passeiam por diversos ritmos e que nos oferecem sambas muito bons, como Emilio Santiago, Djavan, Acione e Luiz Melodia, que já são artistas consagrados (o Emilio infelizmente não está mais conosco) e possuem bandas com uma qualidade musical fantástica, sendo um deleite ouvir e também aproveitar a rica musicalidade para dançar!

Nessa pegada temos mais duas gerações que muito enriqueceram e a nova geração ainda o faz por nossa música, Jair Rodrigues, Elis Regina e  Wilson Simonal e seus filhos Jair Oliveira e Luciana Mello, filhos de Jair, Pedro Mariano e Maria Rita, filhos de Elis, e Wilson Simoninha, filho de Simonal.

Confesso que samba é um ritmo que raramente ouço um álbum inteiro ou somente um cantor ou banda, normalmente o faço com uma playlist ou pasta com vários interpretes, alguns nomes são muito representativos no gênero e dificilmente ficam de fora como Jorge Aragão, Elza Soares, Leny Andrade, Brasil Show, Banda Black Rio, Copa 7, Bebeto e Zeca Pagodinho.

Outros artistas com sambas muito bons são Zé Ricado, Celso Fonseca, Joyce, Kleber Jorge, Roberta , Ana Costa, Leila Pinheiro, Bruno Maia, Marquinhos Satã e Alexandre Pires.

Muitos cantores de Mpb também tem bons sambas, gosto muito destes três, Chico Buarque, Ney Matogrosso e João Bosco. Dos percussores do ritmo cito Noel Rosa e Cartola.


Abençoada e rica é nossa cultura popular brasileira, temos muita gente boa e para todos os gosto! Minha intenção não é citar todos os cantores de samba, mas aqueles que gosto de ouvir e que fazem parte das minhas playlists, tem nomes muito conhecidos que não citei, uns por que não gosto de ouvir outros por que esqueci mesmo, mas com os citados já dá para encontrar muitas músicas boas para ouvir e dançar!


Dicas: 1 - Rildo Hora produziu o Casa De Samba, foram ao todo 4 álbuns com duetos de grandes sambistas e nomes da música brasileira interpretando clássicos do samba, foram grandes encontros e ótimas releituras de músicas já conhecidas! Um tempo depois o Zeca pagodinho lançou um projeto nos mesmos moldes mas ficou apenas em um albúm, o Cidade do Samba.

2 - Tem um canal do YouTube com muitos sambas bons, vale a pena conferir, chama-se Reduto do Samba. https://www.youtube.com/redutodosamba


Quem quiser contribuir com outros interpretes será muito bem-vindo! Quem quiser dicas de músicas de algum dos cantores ou bandas que citei pode pedir nos comentários. Bora ouvir e dançar muito samba!!!

sexta-feira, 17 de julho de 2015

Monografia: QUEM DANÇA É MAIS FELIZ - Parte 10 - Final

     CONCLUSÃO! Chegamos à última parte da publicação da Monografia. Estou muito feliz em compartilhar com vocês o conteúdo deste estudo.Consegui com as aulas, leituras, pesquisas, observações, terapia e conversas, encontrar respostas para os questionamentos e dificuldades citados no início do trabalho. O estudo da Psicologia Corporal me auxiliou a compreender que conflitos psicológicos limitam o fluxo de energia, levando o organismo a funcionar aquém do seu potencial, mas que a Dança de Salão pode funcionar como uma terapia e auxiliar o aluno à superar estas questões e com isso aumentar sua vitalidade e como consequência sua segurança, auto-estima, criatividade, espontaneidade e disposição à busca do prazer. Outro grande acréscimo que tive enquanto profissional, foi a forma de ver o aluno, uma diferença entre o professor e o terapeuta é que o professor trabalhar o conteúdo que ele quer transmitir, na maioria das vezes previamente preparado para a aula, e o terapeuta trabalha a necessidade do seu cliente naquele determinado momento. Acrescentei ao meu professor o terapeuta, trabalhando o conteúdo a ser transmitido, mas sempre olhando para o aluno ou a turma e sentindo qual a sua necessidade para aquele momento, o conteúdo deixou de ser o foco, este mudou para o ser-humano com quem estou trabalhando. Confesso que esta forma de trabalhar é mais difícil, exigi conhecimento e flexibilidade, mas o resultado é muito gratificante tanto para o aluno quanto para mim enquanto profissional e ser humano!

   
Vamos dançar, porque QUEM DANÇA É MAIS FELIZ!





QUEM DANÇA É MAIS FELIZ: AUMENTANDO A VITALIDADE POR MEIO DA BIOENERGÉTICA E DA DANÇA DE SALÃO 


Monografia apresentada para obtenção do título de Especialista em Psicoterapia Corporal no Curso de Pós Graduação em Psicologia Corporal, Instituto Reichiano.




14 CONCLUSÃO

     A proposta deste estudo entre psicologia e dança, foi compreender como o indivíduo reduz sua vitalidade e como isto se reflete no seu corpo e na sua dança. Para viver, dançar e enfrentar as pressões da vida diária é necessário ter energia. As tensões corporais, que são o lado físico dos conflitos psicológicos, limitam o fluxo de energia através do corpo, que prejudica a respiração, a mobilidade, as sensações, a espontaneidade e a auto-expressividade da pessoa, levando o organismo a funcionar aquém do seu potencial. Como o corpo é auto-regulável, produzirá apenas a energia necessária para o seu equilíbrio, e com a vitalidade limitada e reduzida, o ciclo tende a se manter até que sofra uma interferência. Neste ponto a dança de salão se mostra muito útil, além de ser uma atividade que proporciona prazer, que é o objetivo primário da vida, o desenvolvimento de uma atividade física aumenta o metabolismo e por conseqüência a produção de energia; para que o dançarino consiga aumentar sua resistência física precisará melhorar sua respiração, melhorando o fluxo respiratório irá obter mais oxigênio, que irá aumentar o metabolismo e produzir mais energia. Com a dança o indivíduo melhora sua coordenação motora e aumenta sua flexibilidade; com a descontração de tensões e o aumento da mobilidade, o corpo passa a sentir mais e com isso a responder espontânea e criativamente, e sendo a dança uma atividade auto-expressiva, o ciclo que resultará no aumento da energia e por consequência da vitalidade da pessoa, estará completo. Esta vitalidade estará disponível ao indivíduo não somente para o uso na prática da dança, mas também, para a sua vida diária. 
     Considerando a terapia uma forma de reaprender e reprogramar a mente e o corpo, podemos ver a dança de salão como uma forma de terapia, onde o praticante reaprende posturas, comportamentos, ações e movimentos, e recebe estímulo à criatividade, espontaneidade e auto-expressão, aliado ao fato de ser uma atividade que proporciona prazer. É essencial ressaltar que a dança de salão, como uma forma de terapia, não substitui o acompanhamento psicológico em casos de problemas emocionais mais graves, mas pode ser útil como complemento no tratamento. A terapia na forma analítica ou com outras abordagens corporais, como massagens, por exemplo, também são de grande auxilio ao dançarino para compreender e a superar dificuldades.
    Abrindo o leque de pesquisa existem diversos outros aspectos onde a psicologia auxilia a compreender os comportamentos e as dificuldades dos dançarinos. Um aspecto que vale ressaltar, e que é a principal diferença entre a dança de salão e diversas outras danças, é o fato desta ser praticada por casais e na forma de improviso, a relação tão próxima de pessoas de sexos opostos, com a reação direta como resposta ao estímulo do parceiro, reflete diretamente no comportamento do dançarino, e só este aspecto seria conteúdo para o desenvolvimento de todo um estudo. Fica aqui a proposta, para que sejam desenvolvidos mais pesquisas e estudos na área de dança e que possamos ter mais referências para consultar e aplicar. 
     Com este estudo podemos concluir que, de acordo com a visão da bioenergética, a dança de salão pode contribuir significativamente na ampliação da vitalidade do indivíduo, aumentando sua disposição para encarar suas próprias tensões, assim como as tensões da vida diária, além de ampliar sua disposição para a busca de prazer. A qualidade dos resultados que se pode alcançar com a dança de salão depende muito da escolha do profissional, infelizmente é uma modalidade onde não se exige uma formação específica para atuar, com isso encontramos muitos profissionais despreparados e que não possuem consciência do quanto seu trabalho está influenciando no comportamento e no corpo de seus alunos ou dançarinos e que muitas vezes podem estar prejudicando ao invés de beneficiar. A prática da dança de salão além de ser uma atividade que auxilia no alívio das tensões diárias, pode ser fonte para o aumento da vitalidade e melhora do potencial para enfrentar as dificuldades e para a busca do prazer.

quarta-feira, 8 de julho de 2015

Monografia: QUEM DANÇA É MAIS FELIZ - Parte 9

     Último capítulo da Monografia, penúltima parte das postagens sobre ela... está terminando... A mono fecha com o capítulo Auto-expressividade, tema intrínseco à dança. O que limita nossa expressão na dança, movimentos aprendidos x espontâneos, ego x self, poder x prazer, questões que refletem diretamente na dança de cada um, independente se é um dançarino de baile que nunca fez aula, um aluno ou um profissional que vive da arte.


     Sabe o que diferencia um dançarino que encanta com sua arte, independente do nivel, de outro extremamente tecnico e que executa movimentos dificeis mas que não consegue deslumbrar o público? A forma como ele se expressa!

    Boa leitura!!!


QUEM DANÇA É MAIS FELIZ: AUMENTANDO A VITALIDADE POR MEIO DA BIOENERGÉTICA E DA DANÇA DE SALÃO 


Monografia apresentada para obtenção do título de Especialista em Psicoterapia Corporal no Curso de Pós Graduação em Psicologia Corporal, Instituto Reichiano.



13 AUTO-EXPRESSIVIDADE

     A auto-expressividade descreve as atividade livres, naturais e espontâneas do corpo. Toda atividade do corpo contribui para sua auto-expressão, desde as mais simples como andar e comer, até as mais sofisticadas como cantar e dançar. O indivíduo se expressa em qualquer ação que executa ou movimento que seu corpo realiza. Mas não é só através de ações e movimentos que nos expressamos, a forma e o contorno do corpo, sua cor, cabelo, olhos e sons identificam o indivíduo. Para Lowen & Lowen (1985, p. 57), a maior e mais importante parte de nossa auto-expressão é inconsciente. “Um movimento gracioso, um brilho nos olhos de alguém, o tom de voz, uma vivacidade e vibrações gerais, expressão mais o que somos, do que palavras e ações”. Mas segundo eles, estas qualidades não podem ser cultivadas deliberadamente pelas pessoas, “são manifestações de saúde física e emocional”.
     Lowen (1982, p. 229) atribui a qualidade essencial da expressividade à espontaneidade e não a consciência. “Quando comparamos comportamentos espontâneos com comportamentos aprendidos, fica clara a relação dos primeiros com a auto-expressividade”. Considerando o comportamento aprendido uma manifestação do ego e a espontaneidade do self (si próprio), a maioria dos nossos atos contém tanto um elemento aprendido quanto um espontâneo. Quando o controle (ego) e a espontaneidade estão em harmonia a ponto de um suplementar o outro ao invés de tolhê-lo, garantem aos nossos comportamentos maior objetividade e um nível de prazer o mais elevado possível. (LOWEN, 1982, p. 231). Usando a dança como exemplo, a simples repetição dos movimentos aprendidos na aula, por mais que se aplique a mais apurada técnica, não faz com que a dança seja encantadora para quem compartilha ou quem assiste, mas se esta for acrescida de espontaneidade, irá expressar as sensações que a dança, a música e o contato como o par estão lhe proporcionando e com isso a dança não terá apenas movimentos mas expressará vida e proporcionará prazer.
     “O prazer é o elemento chave para a auto-expressividade”. (LOWEN, 1982, p. 230). Sentimos prazer enquanto nos expressamos, essa sensação pode ser moderada ou até extasiante (no sexo). O prazer de se auto-expressar não depende de resposta do meio ambiente, podemos, por exemplo, sentir prazer dançando, isso independe das reações dos outros, porém nosso prazer pode aumentar ou diminuir pela reação dos outros, como se somos elogiados ou criticados pela nossa dança.
     Cantar, assim como dançar, são ações naturalmente expressivas, mas que podem perder suas qualidades quando se transformam numa exibição, ou seja, quando se está faltando o impulso espontâneo para o ato. Pode-se até sentir uma satisfação do ego, mas quando se diminui a espontaneidade o prazer se reduz proporcionalmente. “O desafio do artista é como manter o alto nível de execução sem perder o sentimento de espontaneidade de suas ações, que confere vida e prazer ao que estiver fazendo”. (LOWEN, 1982, p. 231).
     Uma pessoa bloqueada na sua habilidade de expressar sensações e sentimentos, como incapazes de chorar, que não podem esbravejar, que têm medo de mostrar medo, que não podem pedir ajuda, que não ousam protestar; está amortecendo seu corpo e reduzindo sua vitalidade. (LOWEN & LOWEN, 1985). Quando a auto-expressividade está bloqueada ou limitada, a pessoa poderá compensá-la projetando uma imagem do ego. Para Lowen (1982), o modo mais comum de fazer isso é através do uso do poder, mas segundo ele, isto é somente reflexo do senso de inferioridade a nível de si mesmo e de sua expressividade e, adverte que o poder cria apenas uma imagem maior, não um self maior. O autor cita como outra forma de compensação, a pessoa que precisa possuir uma casa grande, um carro potente ou muitas posses para superar uma sensação interna de pequenez, e ressalta que este poderá ser rico, já que esta é sua ambição, mas continua sendo pobre em sua vida interior (espírito) e em sua maneira de automanifestação. Estas observações nos auxiliam a compreender porque muitos artistas e atletas acabam não dando importância aos bens materiais, pois conseguem expressar-se grandiosamente em seus trabalhos e obter, com isso, um prazer imenso, não havendo carência de satisfações egoicas de poder ou posses.
     Lowen (1982, p. 232) apresentou uma linha direta conectando a energia à auto-expressividade:

Energia – mobilidade – sentimento – espontaneidade – auto-expressividade

     A mobilidade do corpo está relacionada ao seu nível de energia. Para mover-se o corpo precisa de energia, se o nível energético está baixo a mobilidade decresce. Com a mobilidade reduzida o fluxo de sentimentos fica limitado, reduzindo ou ainda anulando a espontaneidade e a auto-expressividade. A sequência também opera no sentido inverso, se a auto-expressividade de uma pessoa estiver bloqueada, sua espontaneidade estará reduzida, o que afetará negativamente a afetividade, que por sua vez diminui a mobilidade do corpo e deprime o nível energético.
     É fácil de visualizar essa linha num dançarino, se seu nível energético está baixo, sua mobilidade vai estar reduzida e irá comprometer toda a sua dança. No inverso, se ele for bloqueado na sua auto-expressividade, reduzirá sua espontaneidade, perderá a afetividade, diminuirá a mobilidade e a produção energética será menor para manter o equilíbrio do corpo.


REFERÊNCIAS
LOWEN, Alexander. Bioenergética. São Paulo: Summus, 1982.
LOWEN, Alexander; LOWEN, Leslie. Exercícios de bioenergética: o caminho para uma saúde vibrante. São Paulo: Ágora, 1985.